Horta urbana complementa renda de moradores de São Bernardo

METODISTA

Horta urbana complementa renda de moradores de São Bernardo

Em um terreno da rua Afonsina, no Rudge, um grande espaço verde começa a tomar forma. Alface, tomate, coentro e mais uma diversidade de verduras e vegetais são encontrados na horta urbana. Cuidada por 14 famílias da cidade de São Bernardo, os moradores vêem ali uma oportunidade de ganhar dinheiro, assim como o consumo próprio dos alimentos plantados, além de um prazer em trabalhar com a terra.

O espaço é da Eletropaulo, e organizado pela Associação Global de Desenvolvimento Sustentado (AGDS) há pouco mais de dois meses. Segundo o responsável da entidade, Nelson Pedroso, a ideia é que cada família trabalhe em um lote, que é distribuído de acordo com o interesse das pessoas em participar. Não há pré-requisitos, exceto ser morador de São Bernardo.

Uma vez no projeto, os investimentos para o plantio e a seleção dos vegetais são de responsabilidade dos moradores. Em compensação, o produto e o lucro também. “Vamos fazer um balcão para vender aqui, tudo bonitinho”, conta Cícero da Silva, 53, aposentado, um novato na horta. Há aproximadamente um mês no local, ele prepara a terra que, em breve, começará a brotar.

Nos canteiros ao lado, José Aquim, 52, também começou recentemente e tem a expectativa de que em 40 dias já tenha colheita para o comércio. Ele acredita que o plantio na horta urbana leva características que chamam a atenção dos consumidores. “Aqui não tem produto tóxico. Como o adubo é só esterco de galinha, então é mais natural. A mercadoria fica mais gostosa, para falar a verdade”, diz.

Comerciante de uma loja, José Aquim encara a horta como um complemento para a renda da casa. Vindo do Norte do Brasil, ele conta que trabalhava muito com agricultura, mas que nunca teve a oportunidade de realizar essa atividade em São Bernardo. “Eu gosto muito de mexer com a terra. Faz o tempo passar rápido”.

O investimento para o plantio é de responsabilidade da família cadastrada

Ao fundo da horta, os milhos e outros vegetais já estão no ponto certo. Waldemi do Nascimento, 57, também é aposentado e encontra no espaço auxílios que vão além do dinheiro. “Cuidamos do terreno e plantamos para nós. É para comer em casa e ajudar nas despesas”. Para conseguir sua parte do terreno, conversou com dois amigos que já faziam uso dali. Apesar de sua área ser uma das mais cultivadas, ele conta que ainda está em expansão. “Primeiro plantei mandioca, depois milho e feijão. Agora tenho alface, couve, pimentão… E vou plantando o que der”.

A horta da rua Afonsina já tem todos os lotes ocupados. Mas, para quem tem interesse em conseguir um pedaço de terra para o plantio, a AGDS realiza cadastros para novas hortas. De acordo com Pedroso, basta mandar um e-mail informando o nome e o bairro em que reside para agds@agds.org.br e seguir as instruções que serão recebidas. “Precisamos de mais divulgação do nosso trabalho, de mais gente que queira participar”.

Texto: Daniela Pegoraro

Fonte: Metodista