Grávidas que abandonam o pré-natal podem colocar seus filhos em risco

Manter o isolamento também é muito importante para garantir um parto seguro

Grávidas que abandonam o pré-natal podem colocar seus filhos em risco

Dados de 2019 da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), apontam que no Brasil nascem mais de oito mil crianças por dia, o que ao fim de um ano totaliza uma média de dois milhões e oitocentas mil crianças. Com a pandemia de COVID-19, muitas grávidas pensam em faltar as consultas do pré- natal, com medo de irem a hospitais e clínicas, onde o vírus pode se encontrar.

De acordo com a obstetra e ginecologista Maria Eugênia Cardoso, que atende na Clínica Livance, no bairro Higienópolis, em São Paulo, “O pré-natal é um período de grande importância no cuidado com a nova família que está prestes a se formar. Além de servir para sanar dúvidas sobre o parto e a maternidade, é imprescindível na detecção precoce de doenças maternas. Como pressão alta e diabetes, além de doenças fetais, como malformações e infecções”, Para que haja o mínimo de sequelas possíveis, essas doenças devem ser tratadas o mais rápido possível.

A especialista também afirma que as grávidas não devem faltar às consultas, pois “Uma simples infecção de urina, pode ocasionar trabalho de parto ou rompimento da bolsa antes do tempo”. “Um quadro de pressão arterial descontrolada pode evoluir para pré-eclâmpsia e na pior das hipóteses eclampsia (convulsões) e descolamento de placenta”. O que pode acabar prejudicando o feto.

Leia mais: Casos de violência doméstica têm aumento significativo durante isolamento social, aponta pesquisa

Maria Eugênia ainda recomenda, “Grávidas, mães de recém nascidos e seus familiares devem tomar os mesmos cuidados que o restante da população”. “Evitar aglomerações, lavar as mãos com frequência e utilizar álcool em gel, além de evitar tocar o rosto e procurar assistência médica hospitalar somente se apresentar febre, tosse e dificuldade para respirar”.

Naira Mendes, estudante de 19 anos e grávida de oito meses que mora em São Paulo, conta que seu maior medo é que seu bebê contraia COVID-19, pois sua mãe precisa sair de casa para trabalhar e moram juntas. “Meu maior medo é ele contrair esse vírus, pelo motivo de minha mãe ainda estar trabalhando”. “Como eu moro com ela, ele pode pegar e isso me deixa preocupada a cada dia”. A jovem diz que nem pensou em abandonar o Pé- Natal, pois sempre quer tirar dúvidas e saber como seu bebê está.

Carolina Dias, bancária de 28 anos e moradora da cidade de Santos, deu a luz a seu filho no mês de maio, em meio a pandemia do novo coronavírus, e conta que para garantir a segurança de seu bebê e da família, só recebem em casa parentes próximos, que estão respeitando o isolamento social. “Estamos recebendo apenas os avós e tios próximos”. “Estão vindo pois sabemos que estão cumprindo o isolamento certinho e se cuidando”. “Mesmo assim trazem uma muda de roupas e sapatos extras para entrarem aqui em casa”. E completa, “Não estamos nos abraçando e o contato com o bebê não é exagerado”.

Maria Eugênia Cardoso também cita que os poucos estudos realizados para verificar se há transmissão da COVID-19 da mãe para o bebê, não demonstraram resultados positivos. No entanto, os cuidados gerais devem ser ainda maiores no último mês da gestação, para evitar que a grávida esteja infectada durante o parto, assim anulando a possibilidade de transmitir a doença para a equipe hospitalar.

Autor: Arthur Ferrari.

Fonte: Metodista.