Gestação tardia exige cuidados

Gestação tardia exige cuidados

Márcia registrou em fotos seu aniversário de 42 anos, a gestação e o nascimento de Manuela – Foto: Arquivo pessoal.

Segundo a obstetra Célia Horia Vieira, a chance da mulher engravidar depois dos 40 anos é de 5%.

A arquiteta Elizabeth Amadei, 46, e a dentista Márcia Maria Morassi, 42, têm uma coincidência em suas vidas. As duas ficaram grávidas depois dos 40 anos de idade, mesmo sem terem planejado. Essa situação tem se tornado comum. Há uma mudança no perfil da mulher brasileira. Muitas preferem engravidar após os 40.

As razões apontadas para isso são muitas, como estabilidade financeira e independência antes de realizar o sonho de ser mãe. Mas optar pela gravidez nessa faixa etária requer cuidados para garantir uma gestação sem complicações.

Márcia Maria Morassi, de São Bernardo, não esperava engravidar aos 42 anos. Depois de dar à luz ao Lucas, aos 26 anos, e ao Davi, aos 29, Márcia estava com a laqueadura [cirurgia que impede a mulher de engravidar] marcada. Porém algo inesperado impediu que o procedimento ocorresse.

“A Manuela foi uma ‘doce’ surpresa. Não esperava, até pela idade. Quando descobri, fiquei assustada, porque já havia sofrido um aborto espontâneo, então o trauma permanecia”, disse Márcia.

Apesar da gravidez tardia, a dentista afirma não ter sofrido durante a gestação e que os cuidados, se comparados com as gestações anteriores, foram praticamente os mesmos, incluindo as restrições alimentares e a prática de exercícios. “Havia a possibilidade de algumas doenças, como a Síndrome de Down”, disse Márcia.

A gravidez

Os cuidados com a alimentação são fundamentais para que a mulher tenha uma boa gestação. Segundo a obstetra Célia Horie Vieira, o ganho excessivo de peso em mulheres com mais de 40 anos afeta diretamente na evolução do bebê. Isso porque a obesidade reduz a taxa de fertilidade, impactando diretamente na formação do feto. “A mulher pode desenvolver desde parto prematuro a aborto espontâneo”.

Ainda de acordo com Célia, a grande diferença entre mulheres abaixo dos 30 anos para aquelas que possuem 40 anos ou mais é a chance de gravidez. Enquanto no primeiro caso a probabilidade de engravidar no mês é de 20%, mulheres mais velhas possuem apenas 5%. “Quanto maior a idade, mais envelhecidas as células ficam. Esse problema impede que elas continuem nos ovários, diminuindo consideravelmente a chance de fecundação e reprodução do feto”, afirmou.

Ser mãe sempre esteve nos planos da arquiteta Elizabeth Amadei, 46. Casada há 21 anos, a arquiteta programou diversas vezes a gravidez, que era um sonho, mas exames realizados confirmaram que Elizabeth era infértil. A notícia fez surgir uma nova ideia que ela não hesitou tentar: a adoção.

João, na época com 8 anos, se tornou o primeiro filho de Elizabeth. O segundo filho veio há quatro anos, aos 42, de uma forma que ela considera “um milagre”. Lucca foi concebido naturalmente, mesmo depois de a arquiteta ser considerada infértil.

A gravidez tardia influenciou em alguns problemas durante e após o nascimento de Lucca, que nasceu de 36 semanas por conta do envelhecimento rápido da placenta. “Na hora do parto, ele engoliu o líquido amniótico [responsável por suportar e envolver o feto] e ficou 12 dias na UTI”. Após o parto, a arquiteta descobriu que o pulmão do filho não estava totalmente desenvolvido.

Apesar dos riscos, engravidar tardiamente pode ter benefícios. A ginecologista Carla Betarelli diz que, quando a mulher tem a saúde plena, as vantagens são consideráveis. “A mulher com 40 anos é mais segura e melhor preparada para receber o bebê, tendo outra visão da maternidade”.

O avanço da medicina possibilitou que as mulheres tivessem maior tranquilidade na hora de optar pela gestação tardia. Segundo Carla, novas tecnologias e medicamentos foram desenvolvidos, ajudando no pré-natal, parto e, principalmente, na identificação de doenças. “Hoje, nós temos avançado na detecção de alguma má formação ou também tratamentos, como cirurgias intra útero”.

O pré-natal de uma mulher com mais de 40 anos tem algumas diferenças. A dentista Márcia Morassi afirma que a maior mudança em relação às demais gestações é a quantidade de consultas. Quando Márcia estava grávida de Manuela, precisou fazer exame cardiovascular do bebê.

Apesar da rotina médica pesada, Marcia garante que não se arrepende da sua última gestação. “A Manu está com um ano, saudável e muito sapeca. Para uma mãe, não existe coisa melhor”.*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

Autor: Iago Martins.

Fonte: Metodista.