Falta de saneamento básico agrava problemas em Piraporinha

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Trânsito caótico, transbordamento de córregos e enchentes fazem parte do retrato de Piraporinha, tradicional bairro de Diadema. A avenida de mesmo nome é o ponto mais crítico nas épocas de chuvas e enfrenta enchentes há mais de 40 anos. Aliado a isso, a falta de saneamento básico agrava a situação dos comerciantes e moradores que são diretamente expostos à contaminação pela água e proliferação de insetos nos comércios locais.

Neste ano, durante o mês de março, foram registrados três dias consecutivos de chuvas no bairro, e a Avenida Piraporinha foi uma das áreas mais afetadas. O local é o centro de comércio da região.

Reinaldo Martins, pastor da igreja Mundial que possui um templo no número 388 da avenida, relata que após a enchente de março deste ano houve uma infestação de insetos causada pela entrada das águas que superaram as comportas instaladas na fachada da igreja. “A água subiu e começou a dar choque”, acrescenta o pastor que perdeu caixas de som, teve a porta principal de vidro estourada, perdeu cadeiras, decoração e materiais da igreja. O templo ainda sofreu com rachaduras nas paredes e marcas deixadas pela água. Em consequência das enchentes, Martins diz que pretende mudar o estabelecimento para outro local mais alto da avenida ainda esse ano.

Assim como Reinaldo, comerciantes também tiveram seus estabelecimentos prejudicados. Um dono de uma loja de roupas e calçados bastante tradicional da região teve mais da metade de suas mercadorias perdidas na última enchente. “Ainda estou fazendo algumas reformas nos locais que foram fortemente danificados pelas águas da chuva”, contou.

A lan house Cop Laser, localizada próxima à igreja Bom Jesus de Piraporinha, teve seu espaço invadido pelas águas, o que causou a quebra de impressoras e computadores. Agora a dona do estabelecimento utiliza caixas de madeira para elevar os equipamentos, a fim de evitar mais prejuízos caso ocorra uma nova enchente.

De acordo com a Secretaria Municipal de Serviços e Obras de Diadema, a canalização do ribeirão dos Couros, próximo ao piscinão Mercedes Benz, pode vir a ser a solução dos problemas de enchente em Piraporinha, mas para isto deve ser feito um estudo e projeto detalhado de viabilidade da região. Em nota, a secretaria informou que não há estudos ou previsão para obras de canalização do ribeirão.

O processo de canalização, no entanto, entra em divergência com a proposta de recuperação de córregos com vegetação nas margens, a fim de melhorar o escoamento da água da chuva. Segundo a coordenadora do Centro de Sustentabilidade da Universidade Metodista, Waverli Neuberger, existem também outras medidas para amenizar as enchentes, como diminuir a impermeabilização, corrigir os cursos hídricos do córrego (retificação) e conscientizar a população sobre o descarte de lixos.

A Secretaria de Obras de Diadema ressalta ainda que a canalização do Ribeirão dos Couros deveria ser realizada em parceria com a Prefeitura de São Bernardo, pois o córrego faz divisa com o município vizinho. O órgão público explica que a região de Piraporinha, em termos de relevo, está desfavorável em comparação a São Bernardo e, devido a esse fator, aumenta o acúmulo de águas.
Tratamento do Esgoto                 

Outra reclamação da comunidade é o mau cheiro causado pelo Ribeirão dos Couros, que escoa esgoto a céu aberto. O tratamento de esgoto está previsto nas Regras Nacionais para o Saneamento Básico (Lei nº 11.445/2007), que estabelece condições mínimas para infraestrutura de saneamento e de forma que esse serviço seja universalizado.

Atualmente, 90% do esgoto produzido em Diadema é coletado e 30% é tratado, segundo a Sabesp. Para o ano de 2018 está previsto no Plano de Metas do município o tratamento de 100%. O plano prevê obras de ampliação e melhorias no saneamento básico para atender cerca de 390 mil habitantes de Diadema. A Sabesp – empresa de sociedade mista –  assumiu a frente das implantações depois da Saned (Companhia de Saneamento de Diadema) fechar as portas há cerca de três anos.

Em comparação, no ano de 2013 o Índice de Tratamento de Esgoto foi de 13%, segundo dados fornecidos pela Saned em conjunto com a Sabesp. No período de quatro anos (2013 a 2017) o avanço foi de 17% de esgoto tratado, chegando a 30%. Pelo atual cenário, atingir a meta de 100% de tratamento de esgoto até 2018 parece uma realidade distante.

Texto: Jaqueline Florentino e Victoria Menezes

Fonte: Metodista