Faixas elevadas do Rudge são ignoradas por motoristas

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Com a revitalização da praça São João Batista, no Rudge Ramos, foram instaladas duas faixas elevadas em sua proximidade: uma na avenida Caminho do Mar e outra na avenida Senador Vergueiro. Também conhecidas como lombofaixas, elas foram implantadas há mais de seis meses. Mesmo assim, motoristas que passam pelos trechos continuam a ignorá-las.

Sinalizações não faltam na lombofaixa que corta as quatro pistas da avenida Caminho do Mar, no sentido centro. Três placas, um semáforo piscante e alertas no asfalto indicam a obrigatoriedade de dar preferência à passagem de pedestres. Na Senador Vergueiro, uma placa e avisos no asfalto também têm a mesma orientação. A reportagem foi até as duas avenidas para ouvir pedestres e motoristas.

Flávia Reis, 22, auxiliar de classe, ouviu buzinas de um motorista enquanto atravessava a faixa da Vergueiro. Ao caminhar, ela manuseava um celular. Para ela, somente um semáforo daria a segurança necessária para a travessia do pedestre. Quem compartilha dessa ideia é o aposentado João Franscisco, 64. “Sempre tenho dificuldade para atravessar. Farol é melhor, tem cara que não respeita [a lombofaixa]”, disse.

Já a estudante Adriana Abreu, 22, acredita que não há a necessidade de instalar semáforos no lugar das lombofaixas nessas duas avenidas. “Se você começa a andar [na faixa], os carros param. E a gente, quando está com um pouco mais de pressa, não precisa esperar o sinal fechar.” Mas depois, ela, que esperou muitos motoristas desrespeitarem a sinalização da Caminho do Mar até conseguir atravessar, afirmou: “Tenho medo. Por isso espero bastante até os carros pararem.”

O educador físico Renan Queiroz, 29, que passa tanto de carro quanto a pé pelas lombofaixas do Rudge, também avalia que não precisa substituí-las por semáforos. “Já tem muito farol na região. Acho que iria atrapalhar ainda mais o trânsito.” Segundo Queiroz, a solução seria investir na conscientização dos condutores. “Tem que ter campanhas para educar os motoristas e multar quem não para. Quanto mais você ressaltar que tem uma faixa elevada, mais o pessoal acaba se habituando a parar. É questão de hábito e respeito”, afirmou Queiroz.

Já o motorista Maicon de Freitas Alves, 32, disse que passa apenas de carro pela região. Para ele é necessário colocar semáforos no lugar das lombofaixas. “Assim não dá, o pessoal não respeita”, disse Alves, que estava com seu carro parado enquanto um pedestre atravessava a lombofaixa.

Apesar da divergência, todos os entrevistados disseram que as faixas elevadas são mais eficazes que as sem elevação. O aposentado João Franscisco acredita que as faixas elevadas são melhores porque induzem o motorista a reduzir a velocidade.

Renan Queiroz vê vantagens até para o carro. “Ela [lombofaixa] desgasta menos o veículo do que a lombada normal e, por ser um pouco mais alta, acaba inibindo o motorista. Sempre tem um ou outro que respeita. Felizmente, nem tudo está perdido.”

Conscientização

Quando as faixas elevadas foram entregues no Rudge, os pedestres contaram com o apoio do Mr. Mão – personagem símbolo da Campanha Travessia Segura, do Consórcio Intermunicipal -, que com a mão sinalizava para os carros pararem quando pedestres queriam atravessar. No entanto, essa campanha está desativada desde o fim do ano passado. Em nota enviada por meio de assessoria de imprensa, o Consórcio afirmou que sua continuidade será pauta em futuras reuniões do Grupo de Trabalho Mobilidade do Consórcio.

 

 

 AUTOR: Guilherme Guilherme 
FONTE: Metodista