Fabricio Solagna e os desafios da democracia digital

Governança da Internet, inclusão digital e processos eleitorais foram alguns dos assuntos abordados pelo convidado.

Regularização das plataformas

Fabricio é pesquisador sobre a Governança da Internet. Segundo ele, esse termo é bastante abrangente e diz respeito ao gerenciamento de protocolos para o melhor funcionamento das redes.

O convidado comenta que na última década as grandes plataformas de tecnologia tomaram uma proporção muito grande, o que fez com que as próprias não conseguissem gerar políticas internas eficientes de regulamento – por isso a necessidade da supervisão externa para uma interação mais saudável nas redes sociais.

É importante que esses debates se deem entre os governos, entre a sociedade civil, e entre os próprios controladores dessas plataformas para que a gente crie ambientes mais seguros”, diz. 

Democracia Digital 

Para Fabricio, a busca do equilíbrio entre garantir a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, estabelecer limites para que não ocorram discursos de ódio e perseguição, é o grande desafio da democracia digital.

Outro desafio é a desinformação, principalmente em épocas eleitorais. Para o entrevistado, esse problema não pode ser tratado como algo individual: “é preciso atacar as grandes fazendas de cliques”. 

Processo eleitoral

Sobre as urnas eleitorais, o pesquisador diz que voltar para a urna impressa seria um total retrocesso, e que essa discussão normalmente ocorre sem embasamento.

Ainda assim, ele ressalta a importância de maior transparência no processo eletrônico: “é interessante pro Brasil, que é um exemplo de uso de urna eletrônica, tornar esses processos cada vez mais seguros, para que justamente esses argumentos atravessados não floresçam”.

Inclusão digital 

Fabrício afirma que estamos numa curva de evolução do uso da internet no Brasil, mas também reproduzimos desigualdade no acesso. 

 “Não é óbvio, porque teve um momento que a gente achava que se colocasse todo mundo na internet, isso estaria resolvido, e não acontece de maneira igualitária”. 

Algumas classes possuem um acesso mais dificultado à internet e, quando ocorre, é através de planos de dados muito limitados. Além disso, a internet de conexão fixa não possui franquia, e a internet móvel possui um limite que é muito baixo, sendo muito mais cara. O entrevistado diz que essa é a grande desigualdade estabelecida no Brasil, pois os mais pobres só possuem acesso a internet limitada, já que o cabo não chega em regiões de difícil acesso. 

Existem poucas políticas públicas tentando ir na contramão dessa dificuldade, e com a pandemia muitos estudantes foram prejudicados com essa falta: “Internet não é um luxo, é essencial para a educação”.

Autores: Fabiana Damian e Márcia Cordioli.

Fonte: PUC-RS.