“Eu marquei Pelé”

METODISTA
Antonio Schank lembra de amistoso entre Corinthians de Santo André e Santos FC, que aconteceu há 60 anos, quando o volante marcou o rei do futebol

Já se passaram 60 anos. Mas as imagens daquele jogo não saem da cabeça de Antonio Schank Filho, 82, morador de São Bernardo há 30 anos. É que exatamente no dia 7 de setembro de 1956, Schank, ex-volante do Corinthians de Santo André, teve uma missão dada por seu técnico: marcar Pelé, do Santos, em partida amistosa que aconteceu no Estádio Américo Guazelli, em Santo André.

Tantos anos depois, Schank recebeu a reportagem para, mais uma vez, contar alguns detalhes daquela partida. “O Santos era um time de estrelas. Onde Pelé jogava os estádios ficavam lotados. Naquele dia, contra o Corinthians de Santo André, não foi diferente”, disse.

A partida aconteceu às 15h, em um dia ensolarado. “Gasolina”, antigo apelido de Pelé, começou o jogo no banco. “Para o Lula (técnico do Santos na época) montar aquela equipe era só jogar a camisa para cima e pegar, pois eram todos craques”, afirmou.

Antes do jogo, os atletas do Corinthians de Santo André se reuniram no chamado “Bar do Alfredão” para o almoço.“Comentávamos sobre a partida. Falei: ‘Nossa! vamos enfrentar o Santos, do Del Vecchio!’”.

De acordo com Schank, o primeiro tempo da partida foi bem disputado, mesmo com o placar de 3 a 1 favorável ao time santista, gols de Del Vecchio. “Era o Pelé daquela época”, contou.

No intervalo do jogo, com a desvantagem de dois gols, o time se reuniu no vestiário para discutir a tática do segundo tempo.“O nosso técnico, Jaú, nos orientou a marcar muito bem o meio-campo santista, formado por Zito e Jair da Rosa Pinto, que era por onde saíam as principais jogadas. Entretanto, por mais que nós tentássemos marcar, era muito difícil”, disse.

De acordo com Schank, aos 17 minutos do segundo tempo o alto-falante do estádio anunciava uma substituição: Saía do campo Del Vecchio e entrava Gasolina, ou melhor: Pelé.

Naquele momento, Schank recorda o que disse ao zagueiro Zito, do Corinthians. “Agora que saiu o Dell Vecchio, acabou a nossa correria”. Mas Gasolina mostrou seu potencial logo nos primeiros toques de bola, até marcar o seu primeiro gol pelo Santos.

Em um dos lances, Schank conta que, como jogava de volante, foi ajudar na marcação de Gasolina e partiu para dar combate ao futuro rei do futebol e tentar tomar a bola. Em vão. “Gasolina me driblou.” Depois foi a vez de Zito, de Datti e sobrou até para o goleiro Zaluar. “Nosso goleiro saiu do gol para tentar defender, e Pelé chutou a bola no meio das pernas do goleiro para marcar o gol.”

De acordo com Schank, naquele dia já era possível perceber que Pelé era diferenciado. “Tinha um controle de bola muito bom. Era impossível marcá-lo homem a homem”, afirmou. Nem com falta paravam Pelé. “Nós tentávamos fazer falta nele, mas não era possível. Em algumas jogadas, consegui me antecipar e roubar a bola dele”, afirmou.

Fim de jogo. Placar de 7 a 1 para o Santos. Mas, de acordo com Schank, o placar poderia ter sido mais elástico.“Quando o juiz apitou, foi uma felicidade.”

Carreira

Schank começou no futebol em 1948 na categoria de base do São Caetano. Aos 15, já treinava e jogava com o time principal da equipe do ABC. No mesmo ano, realizou testes para a equipe do São Paulo Futebol Clube, mas resolveu permanecer no ABC.

Aos 16, começou a jogar pelo Nacional, time da capital paulista. Foi campeão estadual, da categoria de base. Aos 17, Schank foi contratado pelo Juventus, da Mooca. Em pouco tempo, virou titular do time.

Na mesma época, foi convocado para a seleção paulista (time dos melhores jogadores do Estado de São Paulo) que disputava torneio nacional contra equipes de outros Estados do país. Na final, os paulistas foram derrotados pela seleção do Rio de Janeiro.

Nos anos 50, em um amistoso contra o São Paulo de Araçatuba, fraturou o tornozelo, perdendo chance de ir para o Palmeiras.
Antes de jogar no Corinthians de Santo André, Schank foi emprestado ao Garça Futebol Clube, onde disputou a segunda divisão Paulista. Posteriormente, saiu da vida futebolística e começou a trabalhar no setor comercial de empresas nacionais.

Após se aposentar, o ex-jogador foi técnico de equipes de base do futebol, com destaque para o Palestra, time de São Bernardo.

AUTOR: Alexandre Leoratti

FONTE: Metodista