Encontro de opostos

encontro de opostos

Hoje, caminhando de volta para casa, senti aquele vento gelado de finzinho de outono batendo no meu rosto e lembrei do quanto ele adora essa sensação.

É incrível como somos opostos. Ele gosta dos dias de inverno, eu gosto de sentir o sol queimando minha pele. Ele trabalha com esportes e cuida do corpo, eu não sei nem segurar uma bola e já estou na minha quarta dieta frustrada. Ele é viciado em séries, eu não tenho paciência para acabar de assistir nem as primeiras temporadas. Ele odeia livros, eu sou apaixonada pelas palavras. Ele toca a maioria dos instrumentos, eu não sei diferenciar tons. Ele adora sair nos fins de semana, eu prefiro ficar em casa. Ele é simpático e conquista todos a sua volta, eu tenho cara de nojo e não sei puxar conversa. Ele é paciente, eu não consigo passar um dia sem me estressar. Ele não gosta de expressar seus sentimentos, eu falo “eu te amo” a cada dois minutos. Ele é extrovertido e não liga para o que os outros pensam, eu fico vermelha só de pensar que alguém está olhando para mim. Ele é racional e pensa bem antes de fazer qualquer coisa, eu sempre ajo por impulso.

É, acho que aquele famoso “os opostos se atraem” nunca fez tanto sentido como faz para nós dois. É uma loucura a maneira como conseguimos ser tão diferentes quando isolados, mas tão iguais quando unidos. Pensando bem, não tem como encaixar duas peças iguais, né? Compartilhar a vida é sempre um desafio, mas qual seria a graça se fossemos idênticos? A gente aprende a se adaptar ao jeito do outro e percebe que cada diferença é o que faz com que o nosso “nós dois” seja tão completo e tão singular.

Texto: Rebeca Dias

Fonte: Mackenzie