Empréstimo por penhor é opção com juros menores

METODISTA

Empréstimo por penhor é opção com juros menores

Por duas vezes, o aposentado Manoel Rodrigues, 67, de São Bernardo, recorreu à penhora, forma de empréstimo em que o juro cobrado é mais baixo. Na primeira vez pagou o IPTU e, na segunda, deu entrada em seu carro. Para utilizar esse serviço, porém, foi preciso deixar como garantia algumas joias e até suas antigas alianças de casamento.

É que, diante dos altos juros relacionados a empréstimos comuns, a penhora de joias surge como válvula de escape para aqueles que precisam colocar as finanças em dia, garantindo dinheiro com rapidez e facilidade, mas sob alguns riscos.

E não é só Manoel que está nesse tipo de empréstimo. Principalmente agora, em tempos de recessão econômica no Brasil, muitas pessoas buscam opções para complementar a renda ou até mesmo pagar as contas. Só no Grande ABC, por exemplo, foram R$ 190 milhões concedidos em crédito pelo serviço de penhor em 2016, de acordo com a Caixa Econômica Federal. Diferentemente dos Estados Unidos, onde os pawn shops – loja de penhores, em inglês – são bem comuns, a única entidade que adota esse modelo de negócio de forma legalizada no Brasil é a própria Caixa.

A proposta é que o indivíduo deixe uma joia, desde as mais simples, como alianças, correntes de ouro e prataria, até as mais trabalhadas, como relógios e canetas de alto valor, como uma forma de garantia para solicitar um empréstimo imediato e com juros mais baixos. “O penhor não exige análise de cadastro nem avaliação de risco de crédito ou de capacidade de pagamento”, detalhou o gerente regional de pessoa física da Caixa, Edvaldo Contin.

Geralmente, o valor disponível é de até 85% em relação à avaliação da peça, sendo que ainda são oferecidas duas maneiras de quitar a dívida: uma em parcela única, com vencimento em até seis meses; e outra parcelada, dividida em até cinco anos.“Me surpreendeu pela velocidade com que o dinheiro saiu. Precisei levar apenas as joias, RG, CPF e um comprovante de residência. Nada mais.

O atendente avaliou as minhas joias e na hora já me disse qual era o valor que eu podia pegar por empréstimo”, disse Manoel Rodrigues.
Para ele, além da facilidade, as baixas taxas foram o maior atrativo. “Me ofereceram 2,1% de juros. Na própria Caixa Econômica, com um empréstimo pessoal, o que tinha conseguido foi 6% ao mês.”

Mas há quem aponte outra alternativa àqueles que precisam levantar um dinheiro e pretendem se desfazer de uma joia. Geovanni Lazarini, ourives há 25 anos, aponta o penhor como um tipo de ‘plano B` na hora de negociar suas joias, uma vez que há o risco de perder a peça no caso de atrasar o pagamento em mais de 30 dias.“As pessoas penhoram na esperança de resgatar as joias, mas já vi muitos casos de quem não conseguiu pagar e acabou perdendo”, disse o ourives.

E foi justamente isso o que aconteceu com Marta de Sousa, 40. Depois de não conseguir realizar o pagamento na data correta, ela teve dois anéis de família leiloados pela própria Caixa.“Infelizmente estava sem emprego na época e, mesmo com as taxas baixas, não pude pagar e os perdi. Eles renderam bem (no leilão), mas minha intenção era pegá-los de volta e não perdê-los”, disse a dona de casa, que teve um ‘lucro’ de R$ 200 em relação à avaliação de sua joia.

Em casos como o de Marta, o valor arrecadado pelo banco no leilão amortiza a dívida do cliente. No entanto, se ele for maior que o saldo devedor, a quantia que sobra fica com o contratante.

Além da possibilidade de empréstimo, outro fator também tem atraído brasileiros ao penhor. O gerente Contin afirmou que muitas pessoas utilizam o penhor como forma segura de guardar suas joias. “A Caixa se responsabiliza pelos bens e garante a segurança das joias pelo tempo que o cliente desejar, já que o penhor pode ser renovado quantas vezes forem necessárias”.

Texto: Raphael da Silva

Fonte: Metodista