Empreendedores migram para e-commerce durante pandemia

Pesquisa revela que 72% dos entrevistados têm o WhatsApp como principal canal de venda online.

Dados registrados pelo Serasa Experience, revelam que 73,4% das micros, pequenas e médias empresas passaram a oferecer seus serviços e produtos em plataformas digitais no período de pandemia do novo coronavírus.

Desses empreendedores, de acordo com a pesquisa, cerca de 83,1% pretendem continuar neste modelo. Thalia Passos, 23, designer de moda e artesã, é uma delas. A proprietária da Mitcs, loja com modelo sustentável, onde se é utilizada retalhos de tecidos para a composição dos produtos, tinha um pequeno espaço numa galeria no centro de São Bernardo do Campo, a jovem teve que se desfazer do local, devido a impossibilidade de se custear um aluguel no período de isolamento social já que seus lucros ficaram quase no zero. “Eu já tinha vontade de abrir minha loja virtual, já havia feito alguns anúncios em grupos do Facebook e possuía um perfil no Instagram o qual eu não atualizava muito”, conta a microempreendedora.

Entre os meses de maio e junho do ano passado, Thalia começou a se dedicar ao Instagram da loja, passou estudar maneiras de alcance e se integrar ainda mais ao meio do mercado digital. “Com tudo isso, consegui ter uma abrangência bem maior do que em um ponto físico. Agora eu faço envio para outras cidades e até mesmo outros estados do Brasil, não imaginava que meus produtos poderiam despertar interesse em muitas pessoas”, diz a artesã. Thalia, agora está investindo em um website, ela acredita que será a cartada final para estabelecer um relacionamento melhor entre ela e seus clientes.

O e-commerce também é uma ótima oportunidade para aqueles que fazem comida. Antes da pandemia, Fernanda Costa, 35, criou pontos estratégicos em espaços de comércio, de vestuário e calçado, da família para venda de doces e gelinhos . “Eu distribuía meus produtos entre a loja do meu marido e da minha irmã. Nos dois estabelecimentos eu deixei um freezer e um banner dos demais produtos que se comercializavam ali”, conta Fernanda. A moradora de São Bernardo teve que se reinventar a partir das medidas de isolamento social impostas pelo governo, já que os pontos de venda estariam fechados durante um tempo. “Eu tinha um pouco de receio de investir no mercado digital, acabei demorando um pouco para migrar, mas com a instabilidade no período, recorri aos aplicativos de entrega de comida para anunciar meus produtos”, diz Fernanda. A proprietária da Doce & Arte, conta que seus lucros nas plataformas ainda não são muito altos, mas acredita que por ser um investimento recente, pode vir a conseguir rentabilidade e um retorno financeiro maior.

A pesquisa também mostra que 51% dos entrevistados conseguiram atingir públicos diferentes, 44,8% conseguiram uma exposição maior, 34,5% alcançaram novas regiões e 29,7% atingiram o mesmo público, porém em proporções maiores.

WhatsApp (73%), Instagram (44%) e Facebook (36,7%), são os meios digitais que os empreendedores mais fazem venda online.

Segundo o economista Hugo Passos, a pandemia acelerou a migração para os meios digitais, além de trazer um menor custo ao empresário, trás segurança. “Aqueles que não acompanharem a era digital ficarão para trás. Os comerciantes que estão investindo em tecnologia, tomando decisões mais dinâmicas de acordo com as mudanças de mercado, tendem a permanecer no seu nicho”, diz Hugo. Para ele, esse movimento é uma possibilidade de alavancar as margens de lucro, sobrando mais caixa para investimento em processos produtivos, assim gerando mais emprego e renda para as famílias.

Autor: Alan Pimentel.

Fonte: Metodista.