É possível viver só de música?

Um dos caminho é se encaixar na demanda do público

É possível viver só de música?

Largar tudo para ser um astro do rock, um produtor musical ou um integrante de uma orquestra não parece uma boa opção analisando a falta de investimentos no setor cultural brasileiro. Não é de hoje que viver da música, financeiramente falando, é difícil, ainda mais para quem está em começo de carreira. A “salvação” pode estar na tecnologia.

Dionísio Pavan Junior é proprietário do Undertown Studio, estúdio de gravação e ensaios em Santo André, e baterista da banda de rock do ABC Vulgar Type. “O músico sofre com o mercado fonográfico atual, que é muito superficial e pouco estimado. Mas, com o advento da internet, a gente tem um refúgio. Estamos na melhor época para viver de música, pois hoje o músico consegue ser independente, ele não precisa de uma gravadora”, diz.

Segundo Dionísio, trabalhar com a música é uma questão de dedicação e quebra de preconceitos. “Eu consegui juntar a minha grana para abrir o estúdio sendo ator. Provei duas vezes que o mundo está errado, porque tem gente que acha que ser ator não dá dinheiro”. O baterista explica também que para ser músico e ter uma banda é preciso estudar diariamente, tanto música quanto marketing, pois o trabalho é como uma empresa. “A banda demora para dar lucro, precisa estudar todos os dias para tentar investir dinheiro nela”.

Como todas as profissões, é preciso pensar nos pontos positivos e negativos de uma carreira artística antes de fazer uma escolha. Muitos que gostam da arte musical têm receio da falta de oportunidades de trabalho e do retorno financeiro escasso, por isso, optam por um emprego paralelo.

De acordo com Antonio Dégas Junior, vocalista da banda Toxic Novel, é difícil sobreviver da música devido ao retorno precário dado pelas casas noturnas. Essa situação impossibilita, além da sobrevivência, a compra de instrumentos e outro investimentos que precisam ser realizado. O vocalista também comenta que, frequentemente, é necessário distorcer o propósito da sua arte para encaixá-la no mercado. “Às vezes você tem que abrir mão da sua arte. Se possui uma forma de expressão que não tem demanda, você não consegue viver de música. É muito mais fácil para o músico que se encaixa na demanda público”.

Os artistas que querem ganhar a vida fazendo o que amam podem seguir o conselho do baterista Dionísio “É um lance de mérito. No mercado fonográfico e musical, só os bons sobrevivem. Todo mundo está querendo. Então se você estudar, você alcança”, acredita.

Autora: Roberta Orsi.

Fonte: Metodista.