A doída rotina da vida

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O despertador toca cedo todas as manhãs e olhos teimam em não querer abrir. Dedos tateiam a tela do celular em busca de onde pressionar para que a soneca- parte da rotina- seja ativada.

No fim um corpo cansado levanta da cama enquanto a mente ainda dorme. Aos poucos a bolsa é arrumada, o banho tomado e a roupa escolhida e assim se sai para mais um dia como todos os outros.

A briga para entrar em um trem cheio, a oração silenciosa para que o metrô não tenha nenhum problema, o olhar perdido lançado para todas a pessoas em um pedido silencioso de socorro para fora dali. Tudo isso ela já havia feito ontem e anteontem e seguiria como rotina em sua vida.

“Por que tão difícil? ” Era a pergunta que habitava em sua mente. “Para todos parece tão fácil” Ela olhava para todos em seu caminho tão acostumados a fazerem esse ciclo todos dias. Olhava para as pessoas com seus fones e livros e se perguntava se sentiam o mesmo que ela. “Será que para eles também dói? ” Era isso que ela sentia dor.

Lhe doía nos ossos, carne, neurônios e principalmente na alma estar ali. Lhe doía ter que renunciar tempo com os que ama. Lhe doía ficar horas do seu dia dentro de um vagão, ou de uma sala fechada. Lhe doía as dores físicas que a rotina dura causava em seu corpo. Lhe doía pensar que sua vida não estava afinal de contas sendo vivida. Mas o que mais lhe causava dor era sentir intensamente tudo.

Por que ela era assim? Era o que se perguntava todos dias. E quando deitava a cabeça do travesseiro desejava acordar anestesiada dessas questões como a maioria das pessoas. Seu desejo era encarar como normal toda a sua rotina e tudo o que tinha que sacrificar por ela como os outros. “Você tem que se acostumar” era o que ela mesma e todas as pessoas lhe falavam. No fundo ela sabia que realmente precisava fazer isso. Precisava abdicar de pensar livremente e encarar viver dentro da bolha. Mas existe aquele velho abismo entre precisar fazer algo e realmente fazer e ela sabia que jamais se acostumaria. No fim era apenas mais uma alma livre vivendo em mundo que quer cortar suas asas.

Outro dia nasce, o despertador toca e tudo começa outra vez e a dor sua velha companheira desperta para mais um dia.

Texto: Aline Fatima

Fonte: Mackenzie