De inspeção de eficiência energética em edifícios a tratamento ecológico de esgoto: conheça o CDT e sua multincubadora de empreendedorismo

Edital para empresas entrarem na multincubadora que é referência no mercado está aberto até dia 13 de dezembro.

O Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da Universidade de Brasília (UnB) é referência em acompanhar, orientar e lançar empresas no mercado. O processo chama-se incubação e o Centro está com edital aberto até o dia 13 de dezembro deste ano para dar chance a mais empreendedores.

Já são 140 empresas incubadas e você pode ver mais abaixo como funciona todo o processo, que pode levar até quatro anos. A incubadora do CDT foi orientada e é certificada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Além do edital, uma das principais portas de entrada para se tornar uma empresa incubada pelo centro de desenvolvimento são as disciplinas ofertadas pelo Matrícula Web, o portal de matrícula em disciplinas dos alunos da UnB. Através delas, segundo a vice-diretora do Centro, professora Sônia Marise, passam pelo CDT mais de 600 alunos e 120 ‘ideações’ por semestre. São elas:

Disciplinas de graduação

  • Introdução à Atividade Empresarial (IAE)
  • Empreendedorismo e Inovação Tecnológica (EIT)
  • Empresa Júnior 1 (EJ1)
  • Empresa Júnior 2 (EJ 2)
  • Pesquisa em Empreendedorismo e Inovação (PEI)
  • Tecnologia Social e Inovação (TSI)
  • Processo de Inovação e Desenvolvimento de Produtos (PIDP)

Disciplina de pós-graduação

  • Empreendedorismo e Inovação (E&I)

Em 2016, no início da gestão da reitora Márcia Abrahão, o CDT passou a ser vinculado diretamente ao Decanato de Pesquisa e Inovação. No mesmo ano, conta Sônia Marise, o Centro começou a redirecionar seu foco para além dos entes públicos, que eram a principal fonte de demanda e renda, “os nossos principais parceiros eram os ministérios públicos, que sustentaram muitos anos os centros com as pesquisas solicitadas e demandadas. Hoje, a partir de 2016, a gente tá aproximando parceiros e parcerias com as empresas, com o capital privado. Isso é muito novo para a universidade, novo pro país”, conclui.

Edital em aberto

O edital para seleção de novas empresas está aberto desde o dia 14 de maio de 2019 e encerra em 13 de dezembro, às 17h. As inscrições podem ser feitas preenchendo o formulário no site cdt.unb.br. A taxa de inscrição custa R$100. Segundo o edital, podem participar da seleção empreendedores que desenvolvam atividades de Pesquisa ou Desenvolvimento Tecnológico e ainda Serviços Tecnológicos.

As atividades podem ser desenvolvidas em segmentos como: Agronegócio, Biotecnologia, Ciências da Saúde e farmacologia, Energia (fontes renováveis, alternativas, biocombustível), Microeletrônica, Nanotecnologia, Química, Engenharias, Tecnologia da Informação e Comunicação, Tecnologias Ambientais e Tecnologias de Impacto Social ou Ambiental.

Caminho das empresas no CDT: Hotel, Incubação e Parque Tecnológico.

Não é necessário ser aluno da UnB para participar da Multincubadora, porém as disciplinas da Escola Empreende são restritas a estudantes da Universidade. A trilha do Empreendedorismo começa ainda em sala de aula, quando o aluno se matricula, por meio do Matrícula Web, em alguma das disciplinas da Escola Empreende, a principal e mais indicada é a disciplina Introdução a Atividade Empresarial (IAE), onde o aluno vai aprender sobre Canvas, Modelagem de Negócio, Matriz SWOT, entre outros assuntos.

A vice-diretora do CDT, Sônia Marise, ressalta que no decorrer do curso, os alunos recebem vários tipos de apoio. Ao final, as melhores ideias recebem o apoio de empresas parceiras do CDT ou também podem ganhar um espaço no Hotel de Projetos, onde podem passar até seis meses recebendo orientações para melhorar o projeto e começar a pensar no protótipo do produto que pretendem oferecer. Depois desse período de estruturação da ideia, a empresa pode submeter o projeto para o programa de incubadoras. Se aprovada, a empresa passa a receber um acompanhamento minucioso.

Uma das empresas que fez parte de todo processo de incubação e hoje faz parte do Parque Tecnológico do CDT é a Quali-A, empresa de etiquetagem de eficiência energética e conforto ambiental para edificações e consultoria na mesma área. As arquitetas e sócias Milena Sampaio e Julia Teixeira, relembram que a ideia surgiu quando eram alunas de mestrado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Elas passaram por todos os processos trilha empreendedora. Segundo Julia Teixeira, após a empresa se tornar uma empresa incubada ela começa a colocar em ação o projeto de negócio feito no Hotel de Projetos e a receber consultoria do CDT especializada no produto na área de trabalho da empresa: “Com o apoio da incubadora que vai estruturar consultorias específicas para cada empresa. Cada empresa tem um perfil. A gente está na área de edificações, tem empresa na área de TI. Então as consultorias que a incubadora te fornece, depende do perfil da empresa e de onde ela quer chegar”.

Um equipe multidisciplinar do Centro, composta por área jurídica, administrativa e financeira, faz o acompanhamento e desenvolve estudos semestrais sobre o desempenho das empresas incubadas, com base em cinco eixos: Tecnológico, Financeiro, Empreendedor, Gestão e Mercado. De acordo com os resultados, o Centro elabora estratégias para ajudar as empresas a melhorarem sua atuação. Sônia Marise diz que esse estudo ajuda a identificar os pontos positivos e negativos e que tipo de ação imediata a empresa precisa para melhorar nesse aspecto: “Nos pontos fortes a gente faz troca de conhecimento entre eles e os pontos fracos a gente ataca diretamente convidando um assessor ou um consultor ou uma aceleradora para vir nos ajudar”.

A partir de três anos de incubação, a empresa que já está com o produto consolidado e pronto para o mercado, tem a escolha de submeter seu projeto para o edital de Parque Científico e Tecnológico (PCTec) ou concluir o processo de incubação e sair da universidade para o mercado. A diretora do PCTec, Renata Aquino, diz que cerca de 30% das empresas que foram incubadas pelo CDT preferem voltar para o ambiente da universidade, mesmo depois de consolidadas no mercado, para continuar no ambiente de inovação e ciência que a universidade proporciona: “São empresas que a gente incubou, graduou e estavam prontas para o mercado e decidiram voltar para o ambiente por entender a importância que esse ecossistema pode trazer para o negócio delas”.

Esse é o caso da empresa Ecofossa, que desenvolve produtos ecológicos para tratamento de esgoto. Um dos seus produtos mais famosos é a fossa feita em fibra de vidro, que utiliza bactérias anaeróbicas para fazer o tratamento dos resíduos do esgoto. A empresa fez a trilha empreendedora durante a década de 90, e voltou para o Parque em 2015. O Diretor Comercial da Ecofossa, Christiano Chedid, conta que o fato de estar dentro do ambiente universitário gera credibilidade para a empresa: “O Parque gera uma credibilidade maior, comercialmente e tecnicamente, no mercado. Você tem acesso a muita coisa que de fora você não teria”.

Ao se inscrever no Edital do PCTec, a empresa propõe um plano de trabalho onde ela deve dizer, principalmente, o que pretende fazer em parceria com o Centro e qual será a contribuição da empresa para a universidade. Chedid diz que essa é uma das vantagens de ter esse vínculo com a UnB, porque a empresa consegue novos projetos “Para desenvolvimento de novos projetos, a gente tá sempre tentando trazer profissionais da área para alimentar isso”.

A arquiteta e sócia da Quali-A, Julia Teixeira, relembra que, ao participarem do edital do PCTec, viram a oportunidade de desenvolver a empresa e manter o vínculo com a universidade: “Nós vimos a oportunidade de dar esse salto e sair da incubação para o Parque, para a gente reforçar ainda mais a autoridade, nosso vínculo com a Universidade”. A Quali-A é empresa de parque desde 2015. Atualmente oferece cursos online e conta com mais de 3.000 (três mil) alunos matriculados.

O Parque é voltado para inovação e desenvolvimento tecnológico e científico. As empresas aprovadas nos editais se comprometem a investir em pesquisa e também têm a opção de fazer um contrato de cessão de uso oneroso, para utilizar espaço físico dentro do CDT para alocação da empresa. A Quali-A paga um valor para ter direito a usar o espaço, como diz a empresária Milena Sampaio: “Existe um contrato financeiro dentro do Parque Tecnológico para isso. Então a gente tem esse contrato de locação e compromisso de investimento em ciência e tecnologia”.

Além de empresas nascidas dentro do Parque, o PCTec também aceita empresas já consolidadas no mercado e que não tenham sido incubadas pelo CDT, chamadas empresas residentes. Um exemplo disso é a empresa de sucos e refrigerantes Brasal. Renata Aquino explica que as empresas procuram o Parque para estabelecer uma parceria com o ambiente universitário: “A empresa nos procura e estabelecemos essas parcerias voltadas para o conhecimento da academia poder resolver os problemas do negócio/fábrica, e vice-versa, os problemas da fábrica gerarem perguntas para a academia”.

Acesse o edital na íntegra através do link: http://cdt.unb.br/novoportal/pdf/editais/processoseletivo14052019112020.6.pdf

Autoras: Maria Ferreira e Wanessa Alves

Fonte: UnB