Crônica por Ilana Oliveira

cronica por Ilana Oliveira

Caro amigo, eu acredito na potência da perseverança. Aquele comichão que algumas pessoas sentem quando pensam em mudar alguma coisa que esteja à sua volta, mas que nunca mudam. O jornalista tem um pouco disso, caso não se perca em sua glamourização ou desilusão com a profissão. E eu pretendo ser jornalista, sabe?

Fazendo jus à minha posição, visitei juntamente ao meu grupo a ONG AZO, em Santo André. E lá comprovei minha tese. Era um dia que ardia com um sol fortíssimo, e o Centro Cultural da ONG era um calor que beirava o insuportável. Porém, Walisson estava lá, Wendel estava lá, Guilherme estava lá.

Três dos alguns participantes do projeto nos ensinaram como é ter muito pouco no que se agarrar, mas mesmo assim ir até onde der, sempre acreditando. Crianças jogando futebol embaixo do mesmo sol que citei, é uma visão que prova que o esporte é muito mais do que alguém correndo atrás de uma bola, ou querendo ganhar ao final do jogo. É perseverança, e é trabalho em grupo. Vamos lá, pense quantas vezes você já não teve que esquecer um erro que seu colega de time cometeu? E quantas vezes alguém já relevou um erro que você mesmo fez? Isso é gana de dar o seu melhor independentemente daquilo que é pessoal. Um por todos e todos por um, caro amigo.

O fato de que todos são iguais quando luta-se por um placar satisfatório e luta-se pelo grito daqueles que torcem, é um fato unificador. Num mundo competitivo e que apenas visa o prêmio pessoal no final do ano, nunca se sabe o quanto que alguém fez para chegar até ali, e o importante se torna apenas ganhar.

A realidade é: nunca saberemos sobre o outro completamente, nunca saberemos quantos quilômetros ele andou para chegar até o campinho, ou quantos quilômetros ele anda para chegar até a faculdade, caso ele vá para a faculdade. A epifania é uma dádiva, e perceber que diferenças somem quando todos lutam por um ideal é tranquilizante.

O ser-humano precisa, além de assistir a qualquer esporte, compreender o que esse esporte é em essência, já que vai muito além de gritar “gol”. Comemore a inclusão, caro amigo, comemore o fato de que muitos brasileiros em situação periférica, tenham mais alguma coisa que os faça sonharem ao final de semana. E cito Guilherme de Souza, idealizador dessa ONG, “Eles trabalham, ralam a semana inteira, mas depois, vêm até aqui, tem o churrasco, o futebol, e tudo fica bem de novo”.

Texto: Ilana Oliveira

Fonte: Mackenzie