Como ser antirracista?

É preciso reconher o racismo estrutural e cabe a todos enfrentá-lo, segundo o manual

O livro “O pequeno manual antirracista”, da filósofa, escritora e uma das principais vozes no combate ao racismo Djamila Ribeiro, aborda a adoção de práticas antirracistas, através de uma linguagem informal e de fácil compreensão. O Manual conta com 11 tópicos, que passam por várias temáticas: racismo internalizado, políticas educacionais afirmativas, autores negros, cultura, violência racial e como ser um antirracista. O objetivo principal é levar o leitor à reflexão sobre diferentes formas de combater o racismo estrutural.

Logo no início, nos deparamos com uma frase marcante da autora: “reconhecer o racismo é a melhor forma de combatê-lo”. Muitas vezes, o racismo se manifesta através daquela piada sem graça, do anúncio de televisão, das novelas, filmes e seriados só com atores brancos em papéis de destaque (a famosa branquitude, marcada por privilégios construídos a partir da opressão de outros grupos, nesse caso os negros que estão distribuídos nas funções mais simples e de serviço braçal). O racismo está enraizado desde a escravidão e se mantém até hoje com a divisão social, seja na televisão ou na vida real.

Reconhecer esses casos é o início de uma longa caminhada para refletir sobre o que se pode fazer para frear a perpetuação desse sistema discriminatório. Um bom exemplo que Djamila dá é a falta de autores negros nas escolas e nas universidades. Quantos anos passamos estudando e quantos autores negros conhecemos e lemos? Poucos ou nenhum. A mudança começa nesse ponto: absorver e interiorizar a cultura africana. Isso não significa se apossar dela, mas torná-la conhecida e apreciada. Utilizá-la na formação dos estudantes é outra maneira de combater o racismo.

Djamila conclama o leitor a enxergar o racismo internalizado nele. “É impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista”. As pessoas acreditam que não são racistas por terem amigos, colegas ou vizinhos negros. Ser antirracista é mais do que isso. É estar atento às atitudes, aos pensamentos e não se calar diante de situações de discriminação. No entanto, a maioria destas acontece no ambiente de trabalho e nas escolas privadas, pois o número de negros ocupando cargos do alto escalão são ínfimos quando comparados aos brancos, e a quantidade de crianças negras frequentando a rede privada ainda são pequenas. E o que fazer para mudar esse panorama de desigualdade? Conhecer e respeitar a cultura é um dos pontos para a construção do antirracismo no mundo.

A autora salienta que “fala-se muito em empatia, em colocar-se no lugar do outro, mas empatia é uma construção intelectual, ética e política”. E, hoje, mais do que nunca, a empatia é a palavra-chave desse pequeno manual antirracista.,É pequeno em o tamanho, mas gigante na abordagem das questões raciais e discriminatórias, não só com os negros, mas com as mulheres negras e com os índios.

Como ser antirracista? Sendo autocrítico e empático. E que, ao nos colocarmos no lugar do outro, possamos enxergar além do que está ali, sem pré-julgamentos. É refletir sobre o que podemos fazer para acabar com a violência e com o racismo estrutural. 

Autor: Renata Lages.

Foto: Felipe Conte.

Fonte: PUC-RS.