Celular atrapalha o sono dos brasileiros

METODISTA
Especialistas explicam que mexer no celular antes de dormir prejudica a rotina de uma pessoa no dia seguinte

Se você quer garantir uma boa noite de sono, tente evitar o uso de smartphones, tablets ou computadores uma hora antes de dormir. Pelo menos é isso que aponta estudo que mostra a interferência desses aparelhos eletrônicos no sono.

Uma pesquisa realizada pela Nielsen Ibope, chamada Mobile Report, de setembro de 2015, confirma essa afirmação mostrando que 48% dos brasileiros acessam o smartphone antes de dormir. Entre os adolescentes, esse hábito atinge 62%.

Segundo a neurologista Andrea Bacelar, especialista em transtorno do sono há 21 anos, o celular usado na cama próximo a hora de dormir faz parte de hábitos que geram irregularidades no horário de dormir e acordar. Vícios, luminosidade excessiva, o que, como consequência, dificulta o sono, trazendo problemas não só para o sistema nervoso, mas também para o organismo.

A neurologista explica que o uso do celular também dificulta o relaxamento e a promoção espontânea do sono, além do estímulo dos órgãos, dos sentidos: visual, tátil e auditivo.

Quem já passou por isso foi o estudante de direito Jônatas Rodrigues Malheiro de 20 anos, da faculdade Uniabc, em Santo André. Ele mora em Mauá e estuda no período da noite. Malheiro contou que uso do celular antes de dormir já o prejudicou no dia seguinte. “Chego da faculdade às 22h30. Pelo fato de ficar até meia-noite e meia mexendo no celular acabo dormindo tarde, aí demoro mais para acordar. Já cheguei a perder a hora para ir trabalhar.’’

Para a neurologista Andrea, quando já há um problema genético e fatores como ansiedade, preocupações, problemas situacionais, há uma grande chance de insônia. “O hábito irregular em mexer no celular pode trazer insônia também, havendo necessidade de ajuda médica.”

Foi o caso da estudante de engenharia na Faculdade Mauá Rafaela Santos,19, que mora em Diadema. Ela disse que acessa o celular uma hora e meia todos os dias antes de dormir, passando maior tempo em aplicativos como Instagram, Facebook e Snapchat. “Demoro mais para pegar no sono e também não durmo muito bem. Agora, se eu não mexo no celular e vou dormir direto, é melhor”, disse a estudante.

Especialista em medicina do sono há 20 anos, Luciana Palombini explica porque as pessoas que mexem no celular demoram mais tempo para dormir. “O aparelho tem uma luz azul. Nós temos receptores na retina que, ao receber essa luz azul, estimulam diretamente nosso relógio biológico, dando uma mensagem que não é para dormir e suprime a secreção da melatonina. Com isso o sono é prejudicado.”

A médica conta que atualmente os pacientes que mais relatam problemas para dormir com o uso do celular estão na faixa etária de 16 aos 25 anos. “Principalmente adolescente, estudante que fica no celular até tarde, não consegue iniciar o sono, não consegue ter o tempo suficiente de sono, e o resultado é que no dia seguinte não consegue estudar, fica irritado, mal humorado, é muito frequente acontecer isso.”

Tratamento

Os riscos que a falta de sono em longo prazo podem levar é a falta de rigor físico, envelhecimento precoce, depressão, comprometimento do sistema imunológico, tendência a desenvolver obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e gastrointestinais e perda crônica de memória.

Para crianças e adolescentes, segundo a neurologista Andrea Barcelar, é preciso que os pais tentem criar regras, conversando com os filhos para não criar o hábito de mexer no celular antes de dormir. O uso pode interferir diretamente no humor da criança, saúde, crescimento e desenvolvimento acadêmico.

Uma hora antes de dormir é preciso que o aparelho seja evitado. Diminuindo a luz estimula o cérebro e ele entende que é a hora de dormir. Em alguns casos é usado a melatonina (um hormônio natural produzido pelo cérebro durante a noite para ajudar na reorganização do sono).

 AUTOR: Stephanie Koren
FONTE: Metodista