Casa Abrigo, no ABC, acolhe mais de 700 mulheres em situação de violência

METODISTA

Casa Abrigo, no ABC, acolhe mais de 700 mulheres em situação de violência

Mulheres vítimas de violência doméstica e familiar podem recorrer ao Programa Casa Abrigo. O objetivo do programa é garantir segurança a mulheres que correm risco de morte, oferecendo moradia longe do agressor. A iniciativa conta com duas unidades no ABC que, juntas, têm capacidade de abrigar até 40 pessoas. As cidades não são divulgadas por uma questão de segurança.

O Programa Casa Abrigo segue diretrizes nacionais e foi implementado no ABC em 2003 pelo Consórcio Intermunicipal, que atende aos sete municípios da região. Os filhos menores de 18 anos também são acolhidos junto de suas mãe. Ao longo dos 14 anos de existência regional do programa, mais de 700 mulheres e 1.200 crianças já foram atendidas.

As casas possuem um protocolo de procedimentos a ser seguido. “Por uma questão de segurança, a mulher fica privada de uma certa liberdade no início”, explicou a presidente do Conselho Gestor da Casa Abrigo, Margarete Ohmori.

O tempo de permanência nos abrigos também é algo a ser seguido. O período máximo de permanência nas casas é de 180 dias. Durante a estadia, questões como emprego, renda, saúde, assistência social, psicoterapia e assistência jurídica são trabalhadas com as mulheres.

Margarete ressalta que cada caso é analisado individualmente. Na avaliação dela, 180 dias podem não ser suficientes, dependendo da situação. “Temos o caso de uma mulher que já passou desse prazo, mas continua na casa porque está desempregada.”

Ainda de acordo com a presidente, as mulheres precisam sair do abrigo com certo “empoderamento”, para que elas não fiquem em situação de vulnerabilidade. “Se isso acontecer, a chance de voltar para o agressor é muito grande.”

Como fazer

As mulheres em situação vulnerável passam por alguns caminhos antes de chegar à Casa Abrigo. Inicialmente, é preciso registrar um boletim de ocorrência na delegacia da mulher ou na delegacia civil. É essencial que o risco iminente de morte esteja descrito no boletim de ocorrência. “Sem esse registro, a mulher não vai para o acolhimento, pois as casas não têm capacidade de atender casos que envolvam um risco menor”, disse a presidente do Conselho Gestor da Casa Abrigo, Margarete Ohmori.

Outros serviços como os Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social) e Centros de Referência de Atendimento Especializado à Mulher também podem dar o encaminhamento inicial para os abrigos. Margarete cita o exemplo de Ribeirão Pires, que não tem delegacia da mulher. “As mulheres são orientadas a procurar o Creas. Lá elas são acolhidas e orientadas. A partir daí, começa-se a estudar a possibilidade do acolhimento.”

Diadema

Em abril, Diadema protocolou o pedido de saída do Consórcio Intermunicipal que, entre outros serviços, oferece moradia a mulheres em situação de violência doméstica por meio do Programa Casa Abrigo. A partir de novembro de 2017 a cidade não usufruirá mais dos serviços oferecidos pelo Consórcio pois o contrato terá acabado.

Diadema gerencia a Casa Beth Lobo, que é outra porta de entrada para a Casa Abrigo, assim como as delegacias especializadas e os centros de referência.

A reportagem perguntou à presidente do conselho gestor, Margarete Ohmori, se as mulheres encaminhadas pela Casa Beth Lobo continuarão a ter acesso à Casa Abrigo após o fim do contrato. Por sua vez, Margarete disse que as portas ainda não estão fechadas. “Não sabemos dizer. Como é algo novo para nós, ainda não foi discutido no Consórcio. Mas acho que é uma perda muito grande para o município.”

Em seminário sobre enfrentamento da violência contra a mulher, Margarete apresentou alguns dados sobre o perfil das mulheres abrigadas pelas casas. Mais de 80% delas têm entre 19 e 39 anos. Entre os tipos de violência, do total atendido té o momento, 38% são psicológicas e 37% são físicas. Sobre emprego e renda, apenas 29% das mulheres possuem emprego.

Texto: Érika Motoda e Thalita Ribeiro

Fonte: Metodista