Cartão de crédito digital atrai jovens com promessa de praticidade e economia

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O analista de atendimento Georges Evangelos, 26, de São Bernardo, cancelou todos os seus cartões de crédito vinculados a bancos ou operadoras para utilizar apenas o chamado “cartão digital”, um aplicativo de celular que dispensa taxa de anuidade. Segundo o analista, o app oferece um maior controle dos gastos e diminui as burocracias de banco.

As promessas de gratuidade e praticidade dos cartões digitais têm atraído consumidores, especialmente os mais jovens. O cartão não tem ligação com contas bancárias, outro fator que aproxima o serviço desse público.

Todas as movimentações são realizadas por meio de um aplicativo que deve ser instalado em smartphones. Outro pré-requisito para utilizar o cartão digital é ser maior de 18 anos. Por meio de assessoria de imprensa, o Nubank, uma das empresas que atuam na área, afirma que aproximadamente 70% dos usuários têm menos de 36 anos. Mais de 5 milhões de pessoas já pediram o cartão e 400 mil estão na lista de espera, segundo a empresa. O modo de obter a validação varia de acordo com cada operadora.

Em uma pesquisa feita pelo Banco Neon, 35% dos usuários responderam que utilizam o cartão para alimentação. Logo em seguida, transporte e entretenimento, com 25% e 6%, respectivamente.

Para Georges, a demora na resposta do cadastro foi um dos pontos negativos da novidade. “Levei cerca de um mês para ser aprovado. Mas os lados positivos ainda superam os eventuais problemas”, afirmou.

O designer gráfico Danilo Fattori Fajani, 30, de São Bernardo, usa a modalidade virtual desde janeiro de 2017 e afirma dividir os gastos do mês entre os cartões digital e convencional. “Com o aplicativo eu consigo programar os gastos para o mês corrente e economizo os juros que pagaria se centralizasse tudo em apenas um cartão”, concluiu.

Danilo admite que o sistema ainda é limitado. “Não gosto do procedimento de gerar boleto para pagamento. Também poderia ter um sistema de transferência bancária comum”, sugeriu.

O primeiro cartão de crédito da estudante de ciência e tecnologia Gabriela Ferreira Genero, 21, é do tipo digital. “A falta de anuidade é apenas uma das vantagens. Indiquei até mesmo para os meus pais. Posso resolver tudo pelo celular, pois odeio ligar para central de telemarketing”, contou.

O uso do cartão digital não difere dos convencionais no que diz respeito ao formato e ao modelo de negócio. Inclusive nas taxas de atraso do pagamento da fatura e oferta de crédito rotativo.

O professor e mestre em economia financeira da Universidade Metodista de São Paulo, Alexandre Borbely, avalia como positiva o novo produto no mercado, mas faz um alerta. “Se o cartão for utilizado para gastar além da renda mensal, e não pela facilidade de controle de gastos, as regras para quem não pagar são as mesmas dos bancos convencionais. A conta ficará negativa e as taxas de juros serão altas.”

Mercado digital

O cartão mais utilizado pelos entrevistados é o do Nubank, startup americana que atua desde 2014 no Brasil. Para obter o cartão, basta entrar na lista de espera através do site da companhia ou ser indicado por um usuário. A média de tempo de espera varia de acordo com o perfil de quem se cadastra, o que pode chegar até 90 dias.

Outra opção é o Digio, que também não cobra anuidade e cujas operações são inteiramente digitais. Para se cadastrar, basta abaixar o aplicativo no celular. A empresa afirma que o tempo de espera para resposta de aprovação é de 15 dias.

Tanto o Banco Original quanto o Banco Neon oferecem, além do cartão, um sistema bancário completamente digital. O Original cobra uma taxa de R$ 9,90 por mês para utilizar serviços por um ano, como transferências e consulta de extrato. O Neon cobra apenas transferências para outros bancos e saques em caixas eletrônicos disponíveis.
 AUTOR: Mariana Cunha
FONTE: Metodista