Câmara tem maior índice de parlamentares novos desde redemocratização

ESPM

A Câmara dos Deputados passou por uma inesperada mudança nesta eleição. É a maior renovação desde a Assembleia Constituinte de 1987–88. De acordo com o levantamento feito pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram eleitos 243 deputados que cumprirão mandato pela primeira vez, num total de 47,3%, e 251 reeleitos, com 48,9%. Até então, a eleição com maior índice havia sido a de 1990, com 46% novos parlamentares.

O PSL (Partido Social Liberal) ganhou destaque puxado pela candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. O partido era considerado um “nanico” antes da eleição e passa agora a ter uma forte bancada no Congresso. Mesmo assim o partido com a maior bancada continua sendo o PT (Partido dos Trabalhadores) com 56 deputados.

Segundo o professor e historiador Carlos Frederico Lúcio, a mensagem que essa eleição passou foi a de uma população jovem mais interessada na política, mas adverte que é preciso um acompanhamento durante este processo. “É uma maneira de resgatar o jovem para a preocupação com a política. O que a gente tem experimentado no Brasil nos últimos anos é um descrédito muito grande na esfera política, sobretudo na constitucional, e isso é perigoso para a democracia”, afirmou o professor.

De um total de 513 deputados federais que tomarão posse ano que vem, 56 são do PT, seguido pelo PSL com 52. Em seguida PP (37), MDB (34), PSD (34), PR (33), PSB (32), PRB (30), DEM (29), PSDB (29) e PDT (28). Os outros partidos elegeram menos de 20 deputados.

O estudante Bruno Lerário, 18, votou em candidatos jovens. Bruno se informou sobre eles por meio da internet, ao se inscrever em canais de Youtube. “Eu votei no Kim e no Arthur, do MBL, esperando que eles façam uma oposição no Congresso e hajam de acordo com os ideais que sempre defenderam”, disse o estudante.

Levando em conta a aprovação de regras eleitorais em 2017 e o tempo de televisão maior a alguns partidos antigos, o resultado das eleições deste ano surpreendeu e mostrou uma grande rejeição aos partidos e políticos tradicionais. Com PSL e PT formando as maiores bancadas, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, terá pela frente um Congresso dividido e polarizado.

Por Fabricio Julião Filho, com colaboração de Luiz Mihich

FONTE: ESPM