Brasileiros aumentam em 5% o consumo de alimentos ultraprocessados durante quarentena

Segundo especialistas a longo prazo os alimentos industrializados podem fazer mal a saúde.

Segundo o Estudo NutriNet Brasil, trabalho feito pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP, e que contou com 10 mil voluntários e investiga desde o começo da pandemia, a relação entre padrões alimentares dos brasileiros isolados e os possíveis desenvolvimentos de doenças crônicas, como por exemplo o numero de pessoas que desenvolveram quadros de pré diabetes e hipertensão.

Houve elevação na frequência do consumo de pelo menos um grupo de alimentos ultraprocessados (de 77,9% para 79,6%) e de cinco ou mais grupos desses alimentos (de 8,8% para 10,9%). Exemplos de ultraprocessados são biscoitos e pães industrializados, salgadinhos e refrigerantes.

Segundo a nutricionista Angelina Zapponi, que tem especialização em nutrição clínica funcional, o consumo de alimentos ultraprocessados aumentou na pandemia pois as pessoas estão passando por um momento de muita ansiedade e bastante estresse. “Além disso, os exercícios físicos  deixaram de fazer parte da rotina de muita gente, transformando a alimentação numa válvula de escape”, afirma. Para ela, os alimentos cheios de açúcar quando fornecem dopamina para nosso organismo, aliviando assim os sintomas causados pela insegurança durante a quarentena.

Este é o caso do editor de áudio Murilo Lara, de 23 anos, que é morador de São Bernardo e mora com os país porem devido a vasta ocupação deles no home office ele tem que se virar e como não sabe cozinhar, ele vem comendo muitos industrializados e ele parou  de fazer exercícios físicos. “Não tem sido fácil, mas depois da pandemia pretendo me alimentar de uma forma mais saudável e voltar a fazer exercícios para melhorar a saúde e não ter futuros problemas.”

De acordo com a nutricionista, a maneira de driblar o consumos desses alimentos seria cada um preparar a própria alimentação com produtos saborosos. ” Existem muitos vídeos e receitas simples, nutritivos e saudáveis na internet.”

Um exemplo de pessoa quem teve uma melhora na alimentação é o da atriz Julia Molino, de 19 anos, que  mora em São Paulo e é vegana. Ela disse que conseguiu driblar as restrições alimentares e destacou que durante a pandemia evitou os fast-food e outras comidas industrializadas, utilizando somente ingredientes saudáveis como frutas e verduras. “Acho que estou me alimentando muito melhor do que antes da quarentena”, completa.

Angelina Zapponi explica que não existem alimentos industrializados e ultraprocessados que posam ser saudáveis, pois todos contêm vários conservantes e corantes que contribuem para uma inflamação no organismo que pode ser porta de entrada da ativação de doenças crônicas como câncer, diabetes e hipertensão. “Por isso é sempre recomendado consumir apenas alimentos frescos”, conclui.

Autor: Guilherme Zaia.

Fonte: Metodista.