Aumento da violência leva mulheres a procurarem defesa pessoal

Academias oferecem opções que incluem até Guided Chaos, de origem na 2ª Guerra Mundial
Aumento da violência leva mulheres a procurarem defesa pessoal
Defesa pessoal é um modo de se proteger nas ruas – Foto: Cortesia Academia Imoto

No Brasil, a cada 7 segundos uma mulher é vítima de violência física, segundo Relógios da Violência, do Instituto Maria da Penha. Houve um aumento de 21% em relação a década passada.

Em vista disso, a busca por aulas de defesa pessoal tem aumentado. Na Academia Imoto, em São Paulo, houve aumento na procura pelo curso devido ao aumento de crimes contra as mulheres.

O instrutor profissional de defesa pessoal, Luciano Noeme Imoto, diz que a cada cinco ligações de interessados em agendar aula experimental de defesa pessoal que recebem, duas são de mulheres.

Os golpes ensinados às mulheres em sua academia são os traumáticos. “E usando todo o peso do corpo nos ataques direcionados à garganta, olhos e virilha, entre outros alvos vulneráveis”, explica.

Ele conta que os golpes com a lateral da mão, antebraços, cotovelos, joelhadas e chutes no púbis, genitais, patela e canela são os mais comuns. Além desses, há também os ataques com as pontas dos dedos, testa, quadris e até os dentes, bem como armas brancas e improvisadas.

A contadora Marlenia Aparecida Pezini, 49, conta que começou a fazer as aulas para aprender a se defender de situações extremas, por conta do alto índice de violência nas ruas. “Logo, uma atitude correta pode salvar minha vida ou a de um ente querido”, relata.

Marlenia diz que o aprendizado com a prática já foi colocado em prática por diversas vezes. “É importante aprender a identificar o perigo, saber agir em caso de ameaça à minha integridade física e equilíbrio para resolver situações conflitantes, como briga de trânsito, discussões e ameaça de agressão física”, explica.

A estudante Olivia Coelho Porto, 20, começou a praticar Krav Magá (tipo de defesa pessoal que é focada em situações reais) há 2 anos, mas já havia praticado boxe por 1 ano e meio antes de começar. Ela conta´que já utilizou o que aprendeu em situações como bloquinhos de carnaval em que um cara segura seu braço. “Felizmente nunca tive que usar nenhum dos golpes mais violentos que aprendi, mas a segurança que eu ganhei por causa do Krav Magá me ajuda muito”.

Olivia acha importante que as mulheres saibam se defender por precaução. “Uma frase que sempre é repetida nos treinos é ‘Eu posso treinar por 50 anos e nunca precisar usar o que eu aprendi. Mas se um dia alguém me ataca com uma faca e eu coloco o braço no lugar certo, todo o meu treino valeu a pena’”.

Quando as mulheres chegam na academia, o instrutor Luciano Noeme Imoto diz que normalmente elas estão preocupadas com os altos riscos de sofrer uma eventual agressão ou tentativa de estupro. “E como o treinamento é 99% prático, as alunas já entendem logo nas primeiras aulas que a principal arma delas é a atenção. Assim, aprendem a cultivar um estado de alerta e um corpo pronto e preparado para a ação explosiva a qualquer instante”, conta.

Luciano diz que também usa o método Guided Chaos, sistema norte-americano de defesa pessoal urbana. Ele foi inspirado em manobras de combate corpo-a-corpo ensinados aos soldados na 2ª Guerra Mundial. Ao contrário de outras modalidades que ensinam sequências prontas e decoradas com coreografias de técnicas, esse método  não usa força bruta, mas sim maior rapidez com movimentos circulares misturados com retilíneos que causam o desequilíbrio físico e confusão mental no oponente.

Marlenia com certeza recomenda aulas de defesa pessoal para outras mulheres. “Penso que deveria ser uma disciplina obrigatória ensinada nas escolas. Muitas mulheres são mortas por falta de uma atitude assertiva no momento adequado, muitas das vezes um único golpe salvaria suas vidas”, relata.

Olivia diz se sentir melhor com o aprendizado. “Eu me sinto completamente segura indo aos lugares sozinha porque eu sei que, se alguma coisa acontecer, eu sei me defender”, finaliza.

 *Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

Autora: Giovanna Vidoto

Fonte: Rudge Ramos Online/Metodista