Atletas paralímpicos enfrentam dificuldades financeiras para competir

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Carateca de Santo André faz financiamento coletivo para disputar Mundial na Áustria

Apesar do sucesso de público das Olimpíadas no Rio de Janeiro, o apoio a atletas com algum tipo de deficiência ainda é um desafio no país. De acordo com dados oficias dos comitês olímpico e paraolímpico, só em patrocínios, o esporte olímpico arrecadou R$ 2 milhões em 2016, já o paraolímpico, em termos de formação dos atletas e infraestrutura, teve metade deste valor arrecadado.

De acordo com a responsável pelo departamento de eventos na Agência MVP Sports, Lívia Martins, o problema da falta de apoio ao esporte paralímpico está na estrutura do esporte brasileiro, que tem dificuldades em direcionar investimentos. “Falta divulgação e envolvimento dos atletas em propagar a modalidade. Também faltam espaços para a prática desses atletas e que os deficientes saibam da existência dessas modalidades”, disse Lívia.

Jaime Ruiz, de Santo André, teve problemas com o tratamento e o diagnóstico de uma lesão na medula óssea em 2009, que foi acompanhada de paraplegia. Passou pela rotina da dor física e psicológica e três anos depois, aos 50, conheceu o esporte.

Ele decidiu que seria atleta após assistir o Projeto do Sensei Sérgio Longo e se emocionar com a apresentação de Karatê adaptado de deficientes visuais. Hoje, Jaime é um dos paratletas convocados para disputar o Campeonato Mundial de Karatê em novembro, na Áustria. “Vi os cegos lá e pensei, se quem não enxerga consegue, quem sou para não fazer?”, contou Ruiz.

O atleta afirmou que o esporte mudou sua vida para melhor, as dores do tratamento diminuíram e até a dose dos remédios foi alterada. “É para mostrar para os outros que ficar na cadeira de rodas não é viver em uma prisão. Quero passar para as pessoas a motivação de não ficar parado e não se prender a doença, e o Karatê para mim foi isso”, disse Jaime.

A ausência de patrocínios e apoios levou o atleta a buscar suporte financeiro por meio de campanha online para poder arcar com os custos da viagem. As doações podem ser feitas por meio do Catarse, site de financiamento coletivo. No site do atleta, estão disponibilizadas todas as informações, incluindo os detalhes dos gastos da viagem e a trajetória de Jaime no esporte.

Ruiz afirma que a falta de recursos e visibilidade não são exclusividades das empresas de patrocínios e organizações de eventos esportivos, existe desinteresse também do público no esporte adaptado, que afirma ter interesse, mas não ajuda de forma efetiva. “Espero que as olimpíadas motivem as pessoas em relação à isso”, comentou o atleta.

Segundo Lívia, os jogos paralimpícos deixaram um legado positivo por trazer mais envolvimento e valorização tanto do público quanto dos atletas, que estão lidando com as dificuldades de forma positiva, por meio de títulos e conquistas inéditas para o país.

TEXTO: GABRIEL MENDES

FONTE: Metodista