Atendimento para denúncias de direitos humanos soma mais de cem mil ligações em 2016

FAMECOS PUCRS

Os números assustam. Somente de janeiro a junho de 2016, já foram realizadas mais de cem mil ligações que resultaram em 68 mil e 257 denúncias para o número federal de denúncias de Direitos Humanos, o Disque 100. Destas denúncias, 8.403 são do estado do Rio Grande do Sul. Elencando os principais registros estão: negligência, violência psicológica, violência física, abuso financeiro e econômico e violência sexual (no caso de crianças e adolescentes esse tipo ocupa a 4ª posição).

Nos primeiros cinco meses de 2016, 2.355 denúncias de trabalho infantil foram realizadas no Brasil. Já as denúncias de abuso sexual infantil estão quase atingindo a marca de cinco mil casos. Para os idosos, de janeiro a abril, as denúncias de violência já passaram de 12 mil. E uma constatação: 80% dos casos ocorre dentro da própria casa do idoso.

Segundo Ataídes Miranda, Coordenador de Comunicação Social da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, não é somente a violência física que agride o idoso, mas também a psicológica. E ainda, de maneira mais comum, a financeira. “O idoso já não pode mais ir no banco, não sabe lidar com a máquina, então passa uma procuração pro filho, e aí os filhos começam a receber”. Violências que o próprio idoso não denuncia.

No balanço oferecido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, o Disque 100 registrou mais de 137 mil e quinhentas denúncias no ano de 2015. Em primeiro lugar estão as denúncias contra a criança e adolescente, superando mais de 80 mil acusações. Este dado apontou queda se comparado com 2014, mas a Secretaria acredita que a diminuição no índice tenha acontecido em virtude da campanha “Proteja Brasil”, que ocorreu do carnaval até o período da Copa do Mundo.

E os números não param. Em segundo lugar no levantamento do ano passado estão os idosos, cujas denúncias atingiram a marca de 32.238. Seguidos por pessoas com deficiência, com mais de 9 mil denúncias; pessoas com restrição de liberdade, mais de 3.500; LGBT com quase 2 mil; violência e discriminação contra a mulher, mais de mil e quinhentos; igualdade racial, 1.064 e moradores de rua, com 682. Mas o índice com maior aumento em 2015 é o chamado “Outros”, que inclui: indígenas, intolerância religiosa, xenofobia, neonazismo, tráfico de pessoas, trabalho escravo, crimes contra a vida, violência policial, entre outros. Este índice sofreu um aumento de 253% de 2014 para 2015.

O Disque 100, ou também chamado Disque Direitos Humanos, existe desde 2003, mas já atendia através do então chamado Disque Denúncia Nacional (DDN) desde 1997. Os atendimentos são realizados 24 horas por dia, todos os dias da semana. Segundo Pedro Nogueira, coordenador geral de imprensa da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, todos os 325 tele atendentes passam por um curso de 30 dias de treinamento com ênfase desde os conceitos de direitos humanos a técnicas de atendimento, sondagem, etc. O número, que é nacional, atende todas as denúncias relativas aos Direitos Humanos sem haver a necessidade de identificação do denunciante ou mesmo de um registro prévio na polícia.

Além do Disque 100, também é possível realizar denúncias pelo aplicativo chamado Proteja Brasil, disponível para download gratuito, e também do Clique 100, através do site www.humanizaredes.gov.br/.

 

Texto: Raysa Guagliardo e Nathy Gaieski

FONTE: Famecos/PUC-RS