Até quando mulheres serão tratadas como objeto sexual nos transportes públicos?

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Todos já estão cientes da falta de respeito com a mulher diante do transporte público.
Assédio sexual nos transportes coletivos crescem a cada ano, os crimes acontecem com muita frequência nos trens, metrô e ônibus. A superlotação facilita o assédio, homens utilizam dessa desculpa para aproveitar da situação e passar a mão, encostar, enconchar ou até mesmo xingar as mulheres que ousem reclamar.
Mulheres em muitos momentos sentem-se acuadas e envergonhadas por imaginar que aquela situação está acontecendo por própria culpa, e principalmente da roupa que está usando naquele momento, sentem-se desprotegidas mesmo dentro de um local privado, empresas fazem pouco caso pela segurança de suas usuárias.
Segundo levantamento do Datafolha – Instituto de pesquisas, através da pesquisa feita com 1.092 entrevistados, sendo homens e mulheres o transporte público é o local onde mais ocorre assédio às mulheres da cidade: 35% disseram já ter sido alvo de algum tipo de assédio nessas superlotações. 22% delas disseram ter sofrido assédio físico, enquanto 8% foram alvo de assédio verbal e 4% de ambos.
Com o levantamento da pesquisa fica nítida a falta de segurança com as mulheres dentro dos transportes, é de caráter de urgência mudanças a serem feitas. Atualmente as empresas de transportes criaram campanhas e SMS denúncia (11 97333-2252), essa atitude de conscientização foi um grande passo, porém não é feita de forma contínua voltando à estaca zero.
De acordo com o metrô – Companhia do Metropolitano de São Paulo, as ações resultaram em um aumento de manifestações pelo SMS- Denúncia: em 2013 foram dez casos, em 2014, 61 casos e até outubro de 2015, 111 casos, aumento de 82%. Em nota, o Metrô informou que em 2015, 115 boletins de ocorrência foram registrados na Delegacia do Metropolitano, órgão responsável pela investigação dos crimes no sistema, e que mais de 80% dos casos denunciados resultaram na identificação e encaminhamento dos infratores. Segundo a SPTrans, 36 denúncias de abuso dentro de ônibus foram registradas de janeiro a outubro de 2015. Em 2014, foram 38. Com os dados em evidência indicando que a situação é mais abrangente do que se imagina, empresas estão despreparadas e mulheres sem ter o que fazer ou para onde correr. Poucas campanhas são feitas, o investimento em cima disso deve ser contínuo, mulheres assim como os homens também possui o direito de ir e vir, sem assédio e ofensas, mulheres precisam de mais segurança.

Thais Santos é estudante de jornalismo da faculdade UNINOVE, e colaboradora do Clube do Jornalismo