Amor não agride, não sufoca, não maltrata

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“Você nunca vai encontrar alguém que te ame mais do que eu. ”

“Te liguei várias vezes, porque não atendeu? ”

“Você não vai sair com essa roupa, é muito curta. Pode trocar. ”

“Eu não gritei com você, apenas falei mais alto porque você me irritou. ”

 

Identificar um relacionamento abusivo não é fácil, muitas vezes os abusos não partem de situações agressivas óbvias como humilhações, ameaças e agressões físicas. As relações abusivas moram também nos detalhes. Os comportamentos abusivos numa relação podem se apresentar de formas veladas que causam danos psicológicos tão graves quanto as agressões explícitas.

Devido à essas variações de abusos, a pessoa que está em uma relação abusiva não enxerga esta situação ou se recusar a acreditar que seu parceiro seja um agressor abusivo. Uma observação importante é que relacionamentos abusivos não acontecem apenas em relações heterossexuais. Quando uma relação anula a sua liberdade e te torna propriedade privada do outro, isso é abuso, é violência.

As razões que levam à dificuldade em romper a relação são diversas: medo da solidão, esperança de que o outro mude, questões econômicas, patrimoniais ou por amor. Mas não há amor que resista aos maus tratos, insultos, chantagens emocionais e ao carinho travestido pela possessão.

Se seu parceiro é ciumento com sua família, amigos e colegas de trabalho, ou se te isola socialmente. Se ele acusa você, sem razão de traição ou se tem atitudes manipuladoras, se diz que você é louca de modo que você sempre acredite que a culpa pelos atos dele é sua, é preciso reavaliar sua relação.

O reconhecimento do abuso é doloroso e implica a perda das ilusões que motivaram a relação. Mas quando a pessoa reconhece que a outra a manipula e claramente lhe faz mal já terá dado um passo decisivo para o rompimento e com isso preservar a sua integridade física e psicológica.

Beatriz Pereira é jornalista e faz parte do projeto Focas de Jornalismo do Clube do Jornalismo desde 2015.