A causa é o mosquito?

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A PICADA DO AEDES AEGYPTI VEM CAUSANDO MUITOS QUESTIONAMENTOS, MAS, CONCENTRAR NELE A CAUSA PODE PROVOCAR O AGRAVAMENTO DE ERROS HISTÓRICOS.

Ao fazer um pré-natal, a mulher se preocupa com sua saúde e a saúde do feto. Buscando uma gravidez saudável, o atendimento médico oferece uma segurança maior para se ter um filho atualmente. Preocupações como o sexo da criança, a escolha do enxoval, e como adaptar o espaço residencial para a chegada do novo membro da família, tornou-se conversa secundária nas redes sociais, nos meios de comunicação, e nos atendimentos médicos. A preocupação do momento tem como protagonista um inseto e seu poder de amedrontar o mundo: a microcefalia. Mas se você acredita que a microcefalia é apenas uma preocupação das mulheres gestantes, se engana. O mosquito Aedes Aegypti não escolhe gênero. Recentemente, estudos relacionam a prática sexual com a contaminação por Zika Vírus (doença ocasionada pela picada do mosquito).

A Microcefalia é caracterizada por uma deficiência no crescimento cerebral, pode se desenvolver nos primeiros anos de vida, e de forma congênita no ser humano. Mesmo sendo uma doença existente no histórico médico por um longo tempo, somente nos últimos meses tornou-se assunto de boa parte dos noticiários, devido à suposição, de que seria causada pela contaminação pelo Zika Vírus.

No mês passado, mais um vilão foi associado ao crescimento preocupante de microcefalia no Brasil. Uma suposta nota divulgada por  médicos argentinos da Physicians in the Crop-Sprayed Towns, associa o uso do produto químico Pyriproxyfen, que inibe o desenvolvimento das características adultas do mosquito Aedes Aegypti, e é usado no Brasil desde 2014, principalmente na região Nordeste, ao aumento da incidência de má formação cerebral causada pela doença. O único estado brasileiro que anunciou a suspensão do uso da substancia baseado nas suspeitas, foi o Rio Grande do Sul. A ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) alerta: “reivindicamos das autoridades competentes a imediata revisão do modelo de controle vetorial. O foco deve ser a eliminação do criadouro e não do mosquito adulto. Os Grupos Temáticos da Abrasco desenvolveram estudos e exigem a suspensão do uso de produtos químicos e outros biocidas, com profundas mudanças na operacionalização do controle vetorial mediante a adoção de métodos mecânicos de limpeza e de saneamento ambiental. É necessário proteger a qualidade da água para consumo humano e garantir sua potabilidade.”

Independente da causa desse aumento de casos de microcefalia, é importante levantar o que provocou todo esse efeito. O crescimento da epidemia e de óbito ocasionada pelo mosquito responsável pela transmissão do vírus da dengue, zika e chikungunya, expõe os problemas históricos do país, que vão bem além da educação sanitária da população. A expansão territorial desenfreada e sem nenhum planejamento, o uso excessivo de substancias em fracassadas estratégias de controle de reprodução do mosquito, o despreparo e falta de atendimento médico em hospitais, UBS e outros centros hospitalares do SUS (até mesmo de redes privadas), coleta inapropriada e produção de lixo, o excesso de burocracia para liberação de verbas para estudos de vacinas e outros meios de erradicação de doenças e a falta de interesse político para saneamento básico e do bem estar da população. Fica o alerta para as próximas eleições.

Josy Dinorah é estudante de jornalismo da faculdade UNINOVE, e colaboradora do Clube do Jornalismo