A vagar pelo mapa

MACKENZIE

Olho o mapa da cidade

Como quem examinasse

A anatomia de um corpo,

E este corpo fosse meu próprio

E cada rua me determinasse

 

Sinto uma nostalgia

Da existência que nunca terei

Penso em tudo que faria

Nas noites longas que tanto almejei

 

Quando eu for, um dia desses

Poeira ou folha levada

No vento da madrugada

Serei um pouco do nada

Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar

Pareça mais um olhar

 

Suave mistério amoroso

Tão belo quanto as luzes

Que conseguem me captar

Junto com a cidade de meu andar

E talvez de meu repouso

 

Há tanta esquina esquisita

Tanta nuança de paredes

Há tanta beleza infinita

Nas ruas que nunca andei

E uma história tão grandiosa

Que nem em sonhos sonhei…

 

Inspirado em “O Mapa” de Mario Quintana 

 

Autora:  Larissa Freitas

Fonte: Mackenzie