Alunos de São Caetano ficam sem bolsa e correm risco de trancar as matrículas

METODISTA

Alunos de São Caetano ficam sem bolsa e correm risco de trancar as matrículas

Universitários de São Caetano correm o risco de precisar trancar suas matrículas. A prefeitura não abriu um novo edital este ano para duas das bolsas que eram oferecidas (Auxílio Educacional Complementar e Faculdade Paulista de Serviço Social) e reduziu o contingente de bolsas para a Universidade de São Caetano do Sul e a Fundação das Artes.

Bruna do Nascimento, 24, está no último semestre de serviço social na Faculdade de Serviço Social e também perdeu a bolsa de 50% que recebia desde o início de curso. “A Faculdade deixou a gente pagar apenas 50% até terminar o curso, e pagar o restante depois, porque eles têm poucos alunos e se nós trancássemos o curso eles iam ter que fechar a turma.”, afirmou.

Bruna disse também que não recebe o desconto desde o começo do ano, porém só foi informada no final de maio, quando deveria abrir o edital para bolsa,o que não ocorreu até agora. Ela calcula que até o fim do ano terá que desembolsar aproximadamente R$ 6 mil.

 O drama é vivenciado também por Caroline Varani, 30, que cursa o técnico em teatro, na Fundação das Artes, e participa de um coletivo criado pelos universitários que recebiam o benefício.

“Tem muitos alunos que já trancaram. Quando nós fomos fazer a rematrícula já recebemos os boletos, e muitos não conseguiriam pagar. Conseguimos conversar [com a faculdade] e parcelar esse valor para ser pago até dia 22 de agosto.”, comenta Caroline.

Ela afirma que a Fundação das Artes contava com um contingente de 306 bolsas munícipes e 116 bolsas monitorias, que eram destinadas aos alunos que não moram na cidade, mas que auxiliam no funcionamento, como explica Caroline. “A Fundação [das Artes] sem o monitor para, pois o monitor trabalha com os alunos com necessidades especiais, ajuda nas aulas, faz o arquivamento de partituras”

O estudante de Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo, Pedro Mendonça, 20, sofre com o mesmo problema. Ele recebia o Auxílio Educacional Complementar (AEC), no valor de R$ 300.

“Como minha faculdade é pública esses R$ 300  ajudavam bastante em transporte até São Paulo e também para a compra de material, especialmente xerox, assim eu não precisava depender dos meus pais para essas despesas.”, comenta Pedro.

Bruna do Nascimento, que também faz parte do coletivo de alunos, afirma que no dia 27 de julho eles fizeram um ato em frente à Câmara Municipal de São Caetano. “Postamos algumas fotos nas páginas da prefeitura e eles nos bloquearam. A única  resposta que a prefeitura nos deu foi que a bolsa não irá voltar agora por causa das dívidas que eles têm .”

A prefeitura informa que em 2016 foram gastos cerca de R$ 5 milhões no AEC, atendendo 900 estudantes, com bolsas entre R$ 300 e R$ 600 mensais.

Por meio de nota, a prefeitura destaca que “diante de tal realidade, desde abril, os munícipes têm sido informados que a cessão do AEC está sob análise e em reformulação, sem previsão de data para novas inscrições e renovações.”

Sobre as bolsas munícipe e bolsas monitoria a prefeitura não se posicionou.

Texto: Barbara Caetano

Fonte: Metodista