10 remakes que simplesmente não deveriam existir

cenumtinha

Todos nós estamos sujeitos ao bloqueio criativo – Hollywood inclusa. Os remakes e reboots são uma tática comprovada de produzir filmes de sucesso quando não se consegue novas ideias, e, embora criticados por muitos, ainda são lucrativos. Com mais de um século de produção de roteiros originais disponível, gostemos ou não, os remakes chegaram para ficar – e, entre eles, alguns tão lamentáveis que nos fazem perguntar: pra que?

Cinéfilos pediu a opinião de leitores nas redes sociais e chegou a 10 remakes tão ruins que devem causar o arrependimento de seus produtores, elenco e diretores até hoje. Veja a lista!

  1.  OLHOS DA JUSTIÇA (Secret in their Eyes, 2015)
    Original: O Segredo dos seus Olhos (El Secreto de sus Ojos, 2009)

(Ricardo Darín e Soledad Villamil em El Secreto de sus Ojos, à esquerda; Julia Roberts e Chiwetel Ejiofor em Secret in their Eyes)

Um dos filmes de maior renome do cinema latino americano sofre uma americanização intensa para transformar-se no remake Olhos da Justiça , e o resultado é um filme tristemente medíocre. O enredo modifica a história original, transformando os protagonistas em agentes do FBI, criando conexões que anteriormente não existiam entre personagens para efeito de drama, eliminando o romance sutil-porém-interessante entre os protagonistas e adicionando diversos clichês cansados de filme policial americano. Nem mesmo o estelar elenco selecionado consegue salvar o longa de sua mediocridade. Diante da reconhecida qualidade de seu original, este remake parece ainda mais um erro.

  1. OLDBOY – DIAS DE VINGANÇA (Oldboy, 2013)
    Original: Oldboy (2003)

(À esquerda Choi Minsik e à direita Josh Brolin, no papel de, respectivamente, Oh Daesu e sua versão americaníssima, Joe Ducett)

Mesmo a premissa do remake do consagrado filme sul-coreano Oldboy (2003) nos faz questionar sua necessidade – apenas 10 anos após o lançamento do original, estreia sua versão norte-americana. No papel de Joe Ducett, Josh Brolin parece mais um agente secreto do que Oh Daesu; as sequências de ação comicamente parecem lutas mal coreografadas de Jackie Chan. Embora as mudanças de enredo sejam mínimas, o elenco de Oldboy (2013) não chega nem perto de entregar a genialidade de seus antecessores. O Cinéfilos deixa aqui o questionamento: por que não puderam simplesmente legendar ou dublar o filme original?

  1. PLANETA DOS MACACOS (Planet of the Apes, 2001)
    Original: Planeta dos macacos (Planet of the Apes, 1968)

    (À esquerda, Kim Hunter como Zira, e à direita, Helena Bonham-Carter como a embelezada Ari)

A versão de 2001 de O Planeta dos Macacos teve um período de produção conturbado, para não dizer caótico. Após pular de diretor para diretor – nomes como Peter Jackson e James Cameron foram considerados -, o filme chega em Tim Burton com metade de seu orçamento original cortado. O que deveria se esperar de uma ficção científica com Mark Wahlberg dirigida por Tim Burton? Não muito. E é exatamente isso que o filme nos passa: não muito. É fato que algo “melhorou” em relação ao original de 1968: os macacos aprenderam a se maquiar, como podemos ver na personagem Ari, de Helena Bonham-Carter.

  1. A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (Charlie and the Chocolate Factory, 2005)
    Original: A Fantástica Fábrica de Chocolate (Willy Wonka and the Chocolate Factory, 1971)

(À esquerda, Gene Wilder, e a direita, Johnny Depp, ambos interpretando o excêntrico Willy Wonka)

A versão original da famosa história do menino que acha um bilhete dourado e vista uma estranhíssima fábrica de chocolates é desconhecida por parte do público de seu remake. O carisma de Johnny Depp e o estilo de Tim Burton fazem desse remake um sucesso entre o público mais jovem, porém é reprovado por muitos outros. O próprio Gene Wilder, o primeiro Willy Wonka, já confessou odiar a versão de 2005 do clássico, por não gostar de como foi abordada a história. De fato, a emoção e a moral do filme originais são perdidas em meio a ação e os efeitos especiais do remake, que acabou se tornando uma versão mais rasa e “enfeitada” de seu antecessor – mas pareceu funcionar para a audiência.

  1. PSICOSE (Psycho, 1998)
    Original: Psicose (Psycho, 1960)

(À esquerda, Janet Leigh numa cena clássica do longa original; à direita, Anne Heche em uma quase mímica do original, correspondente nos mínimos detalhes)

Psicose (1960) é indiscutivelmente um dos filmes mais icônicos da história cinematográfica: logo, fazer seu remake é uma tarefa que já começa com um risco muito alto. Para evitar ao máximo críticas negativas, o diretor Gus Van Sant, fã assumido de Hitchcock, propôs-se a alterar o filme original o mínimo possível. Psicose (1998), portanto, é como se o filme original tivesse sido regravado com atores diferentes, apenas – com a única adição notável sendo uma questionável cena envolvendo masturbação. Este remake é possivelmente um dos mais desnecessários desta lista, por ser basicamente uma cópia sem graça do original.

  1. FOOTLOOSE – RITMO QUENTE (Footloose, 2011)
    Original: Footloose – Ritmo Louco (Footloose, 1984)

(À esquerda, o elenco do primeiro Footloose, e à direita, o elenco de sua versão sessão-da-tarde)

Praticamente um hino da juventude dos anos 80, Footloose (1984) é um filme divertido para assistir numa tarde preguiçosa, mas também carrega sub-enredos emocionalmente complexos e ligeiras críticas ao conservadorismo. Já Footloose (2011) é um filme de modelo “sessão-da-tarde” para assistir quando seu controle está quebrado e você não consegue mudar de canal. Ele capta as entrelinhas do enredo e as expõe exaustivamente até que percam completamente seu impacto, numa tentativa desesperada de ser um bom filme (que falha). E sejamos sinceros: suas coreografias não tem nem metade do charme das originais.

  1. A CASA DE CERA (House of Wax, 2005)
    Original: Museu de Cera (House of Wax, 1953)
    Original do original: Os Crimes do Museu (Mystery of the Wax Museum, 1933)

(À esquerda, cena de Os Crimes do Museu, e acima, de Museu de Cera; à direita, o remake A Casa de Cera)

Existem franquias saturadas, e existe Casa de Cera. A ideia dos bonecos de cera como enredo de terror veio com o filme Os Crimes do Museu (1933), e foi reutilizada em 1953, com Museu de Cera. O longa de 2005 utiliza a mesma premissa, porém com um enredo que em nada se relaciona com os dois filmes anteriores. Pelo contrário; A Casa de Cera é quase que uma paródia de um terror, porém é um filme sério. Com um elenco recheado de estrelas – como Jared Padalecki e Chad Michael Murray, as sensações adolescentes dos anos 2000 – como únicos reais atrativos, A Casa de Cera hoje é lembrado por uma única coisa: a cena da morte da personagem da notória socialite Paris Hilton.

  1. A MÚMIA (The Mummy, 2017)
    Original: A Múmia (The Mummy, 1999)
    Original do original: A Múmia (The Mummy, 1932)

(Os três “A múmia”: 1932, no canto inferior esquerdo; 1999, à esquerda, e o de 2017, à direita)

A Múmia é uma franquia clássica do cinema, e consolidou-se principalmente pela trilogia iniciada em 1999, com o filme homônimo estrelado por Brendan Fraser – que é, em si, baseado no terror de 1932, também com o mesmo nome. Este, de 1999, conseguiu conquistar e segurar público para mais duas continuações: o personagem de Fraser, com seu jeito humorístico, foi um grande acerto. O escolhido para sucedê-lo foi ninguém menos que Tom Cruise – cuja carreira hoje consiste em interpretar homens-sedutores-e-invencíveis em remakes – e, não obstante, não deu certo. O filme tem sido massacrado pela crítica e foi chamado por alguns de “o pior filme de Tom Cruise” – isto diz algo, com certeza.

Leia mais sobre este remake na resenha do Cinéfilos!

  1. KARATÊ KID (The Karate Kid, 2010)
    Original: Karatê Kid – A Hora da Verdade (The Karate Kid, 1984)

(Daniel e Sr. Miyagi raiz, na versão original de Karatê Kid, e Dre e Sr. Han, na versão kung fu)

Um queridinho dos anos 80 teve sua tentativa de renovação com Jackie Chan e Jaden Smith. Apesar do nome, porém, o segundo Karatê Kid não é sobre karatê: ambientado na China e (felizmente) com um elenco majoritariamente chinês, o longa gira em torno do kung fu. Por que isso não foi declarado no título? É um mistério. Com uma colaboração de Justin Bieber na trilha sonora (“Never Say Never”), o filme foi um sucesso – talvez pela ajudinha das fãs do super astro teen – mas falhou em transmitir a magia, o humor e a emoção que fez seu original se tornar um clássico.

  1. CARRIE, A ESTRANHA (Carrie, 2013)
    Original: Carrie, a Estranha (Carrie, 1976)

(Sissy Spacek espetacular em Carrie, 1976, e Chloë Moretz, esforçada, em 2013)

Buscando atribuir ao atemporal Carrie, a Estranha um visual mais atual, a atriz mirim (agora não mais mirim) Chloë Moretz foi escalada para estrelar a versão de 2013 da história. No entanto, talvez tenham exagerado; o longa acabou quase como um filme teen. As cenas de terror são risíveis, com o excesso de sangue falso e vergonhosas sequências em câmera lenta. Para fechar, as atuações não impressionam: até a consagrada Julianne Moore foi mal aproveitada e pareceu apagada como a mãe de Carrie. Todos os erros que construíram o filme o fizeram o remake mais votado como pior na enquete feita pela equipe do Cinéfilos. Parabéns?

Por Juliana Santos (Jornalismo Júnior/USP)